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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ferreiros - Cinfães


Domingo, 31 de Agosto de 1997.

Era dia de cumprir algo que tinha prometido ao Alberto, finalmente ia a Ferreiros fazer-lhe uma visita.

A noite correu muito mal para mim, acordei por volta das 4 horas com umas dores terríveis nas costas, e com dificuldades respiratórias, por momentos pensei ir para o hospital, mas consegui resolver a situação.

O dia estava muito tristonho, inclusivamente prometia chuva, depois de um dia espectacular como foi o sábado, este dia prometia ser totalmente diferente.

Levantei-me cedo, tinha que apanhar o comboio em Ermesinde às 8h05m., saí de casa eram aproximadamente 7h30m., pensava eu ter tempo de sobra. Enquanto esperava pelo autocarro para a estação fui vendo pessoal que faz caminhadas para a S. Rita, eu também já fiz mais do que uma vez tal caminhada, mas para mim fica relativamente perto, passava gente que demonstrava já estar muito cansada, para eles valia o tempo estar fresco, estavam as condições ideais para tais tarefas.

O tempo a passar e do autocarro nem sinal, comecei a ver que não daria para apanhar o comboio que estava previsto, o pior é que o Alberto ficou de estar na estação às 9h30m. para me apanhar, para ela seria madrugar.

Finalmente apareceu um autocarro, só que este não passava na estação de Ermesinde, passava e terminava o percurso na estação de Valongo, também servia, de qualquer forma já não dava para apanhar o comboio que eu pretendia, eram neste momento 8 horas.

Como era domingo e como o tempo estava convidativo a ficar em casa, o movimento na estrada era diminuto, foi bom , pois assim o autocarro rapidamente chegou a Valongo, quando eu cheguei à estação estava a chegar um comboio especial para as praias de Espinho, com aquele tempo pouco deviam ir, fui calmamente para a bilheteira comprar o bilhete. Quando pedi o bilhete para Mosteirô, o homem perguntou-me se queria ir no comboio que estava para partir, afirmativo, fiquei admirado por o comboio ainda estar ali, assim ia dar para estar com o Alberto à hora marcada. Mal tive o bilhete na mão corri para apanhar o comboio, é que estava mesmo de partida, para complicar um pouco tive que entrar e voltar a sair do comboio com destino às praias, o comboio que eu queria estava na outra linha. Entrei logo na primeira porta nem reparei que classe era, depois acertava se houvesse algo a acertar.

Fiquei junto à porta, a carruagem estava cheia, nem tão pouco fui ver se havia lugares disponíveis, e além do mais havia muita animação naquela carruagem. Pouco depois chega o revisor, olha atentamente para o meu bilhete e diz que não posso ir naquela carruagem, aquela era reservada, tudo bem, por isso havia muita animação ali, de facto aquilo parecia um grupo excursionista. Passei para a carruagem atrás, não havia qualquer tipo de problema.

9h32m. em ponto estava o comboio a entrar na estação de Mosteirô, é a partir daqui que a viagem de comboio tem interesse, pois é a partir daqui que se começa a ter o rio como companhia. Ainda eu estava dentro do comboio, já o Alberto andava a espreitar para as carruagens a ver em qual eu estava, devia estar com receio que eu seguisse viagem. O tempo estava pior do que quando parti de casa. A primeira coisa que o Alberto me disse foi “ Então morreu a tua amiga!? “, eu não percebi o que ele queria dizer com aquilo, depois é que disse que tinha falecido a Diana, eu apenas disse “ Antes ela do que eu”, mas fiquei espantado, achava uma morte estranha até ele dizer como tinha sido.

Fomos para Cinfães, ele foi comprar o Jornal de Noticias e o Público, começou a chover, não muito mas dava para molhar. O dia estava mesmo mau, não ia dar para ver o que quer que fosse. Fomos para casa dele em Ferreiros. Quando lá chegamos a chuva já tinha passado, estava lá o Costa e a respectiva família. Estivemos um pouco na sala a ler os jornais, nada tinha de interessante, rapidamente os li. Literatura em dia, o Alberto andou a mostrar-me a “propriedade” já que quando foi o baptizado do João não tive oportunidade de ver quase nada.

Como o dia começou a melhorar e o Alberto tinha por ali uma mesa de ténis de mesa, jogamos umas partidas, pensava eu que ele era fraco naquilo, e de facto é, só que eu sou ainda mais fraco, não ganhei nenhum jogo, dos quatro jogos que jogamos perdi todos e com os parciais 21-16,21-13,21-10 e 21-13, fiquei cansado.

A hora do almoço estava a chegar mas antes disso fomos a um café um pouco abaixo dali, o Alberto foi tomar um café, fomos os dois mais a Francisca e a Sara. Como a inauguração tinha sido na véspera os cafés eram de borla.

Quando regressamos a casa fomos dar uns chutos, o piso como é relvado e estava molhado fiquei com os meus sapatos molhados e lavados.

O Costa tinha convidado um casal amigo para lá ir almoçar, quando eles chegaram foram servidos uns aperitivos, pouca coisa, é que o almoço estava pronto. Pouco depois foi servido o almoço. Quem cozinhou foi a Cristina, fez carne com massa folhada, estava bom, para sobremesa havia bolos e fruta, comi um pouco de bolo, para terminar tomei um café feito pelo Costa, não costumo tomar café mas hoje até ia.

Após o almoço o pessoal esteve a conversar um pouco, depois disso o Costa decidiu ir mostrar a zona aos convidados dele, também me convidou só que não aceitei, talvez não chegassem a tempo para eu apanhar o comboio das 18h30m., como tal fiquei.

Como não tinha ido com o Costa e para passar um pouco o tempo e também conhecer um pouco mais a região saí com o Alberto. Fomos dar uma pequena volta pelas redondezas. Apesar da casa dele estar numa encosta e se subir muito até lá chegar, ainda existem locais mais elevados e não muito afastados dali, subimos imenso. Passamos por algumas aldeias que estão por ali “perdidas”, não sei do que vive aquela gente nem o que faz, sei é que devem ter uma vida muito sossegada, ou talvez não!.

Durante o caminho passamos por um casal de namorados que levavam três vacas para o campo pastar, é uma forma original de namorar, por aqui vai-se ao cinema comer pipocas, a uma discoteca, sei lá tantas coisas que vejo fazer, ali não, vai-se para o campo com as vacas. Fomos a um local de onde se tem uma vista maravilhosa sobre o rio Douro, se o dia estivesse melhor daria para tirar excelentes fotografias, desta vez não tirei, é que também estava muito frio, só dentro do carro é que se estava bem. No caminho de regresso à “base” ainda fomos ver um monumento monolítico, está um pouco perdido no meio daqueles montes.

Estava a chegar a hora da partida, eram 18h 10m. , apesar de o comboio só ser às 18h30m. convinha chegar lá um pouco antes, foi o que fizemos.

Quando cheguei à estação estava lá muita gente, o bilhete ficou mais caro, também tirei até S. Bento. Chegou o comboio, já trazia cerca de cinco minutos de atraso, era enorme, tinha muitas carruagens, escolhi a última.

Sentei-me logo no primeiro lugar disponível, estava só uma rapariga, nada de interessante. Tal como na viagem de manhã, havia muita animação nesta carruagem, vinha um enorme grupo de rapazes e raparigas, estavam um bocado sujos, eram campistas, o que não justifica a sujidade. Dois rapazes tocavam razoavelmente viola, o resto cantava, foi assim a viagem até Ermesinde.

Estava em casa, cheguei eram 20h30m., estava no fim um bom fim de semana

sábado, 21 de março de 2009

Um Périplo pelo Douro e Tua


Sábado, 21 de Junho de 1997. Como de costume esta viagem teve lugar num sábado.
Por volta das 7h. 10m, Já me decidi deixar a cama, tinha algum sono, na véspera estive a ver o filme 4 casamentos e um funeral. Após um bom banho, vesti-me e fui buscar a Fátima mais os pequenitos, eram aproximadamente 8 horas menos um quarto. Quando estava a chegar a casa da Fátima encontrei o Ricardo, aproveitou aquela meia dúzia de metros.
A Fátima já estava pronta, os pequenitos também, o João Pedro estava com carinha de sono, até tive pena do miúdo. Cheguei a casa por volta das 8 horas, estava na hora combinada com o Fernando.
Pouco depois ele chegou, ainda o fiz esperar dois minutos, foi pouco.
Partimos para casa do Zé, já ele estava na rua, não demoramos tempo nenhum, seguimos de imediato para casa do António. Aqui também não perdemos tempo, depois do Fernando ter tocado á campainha, o António e o vizinho apareceram logo de seguida. Estava a equipa completa, íamos os cinco, era uma equipa um pouco diferente do costume.
O Caminho era o do costume, fomos pela via rápida até à auto estrada, depois de nela entrarmos fomos até Amarante e entramos na IP4, entramos mas logo de seguida a deixamos, estava previsto irmos ao “Cavalinho” tomar a dose do costume. Quando lá chegamos eram 9h. 30m. .
Como de costume pedimos fêveras panadas e devido à hora pedi um sumo de laranja para mim, o pessoal não queria deixar, queriam que eu bebesse vinho, mas aquela hora nem pensar e ainda por cima estava em jejum.
O vizinho do António é que não comeu nada. O panado rapidamente desapareceu, o vinho que eles me deitaram no copo ficou todo, aquela hora não dava para eu beber. Como ainda tínhamos muito para andar, era hora de ganhar mais alguns metros na estrada .
Voltamos a entrar na IP4, nada se passava digno de registo, até que já bem próximo de Vila Real, os carros que circulavam em sentido contrário começaram a dar sinais de luzes, havia policia por perto, a nossa velocidade estava dentro dos limites, nada havia a temer. Alguns Km. à frente estava um carro mal estacionado na berma da estrada, era da policia, estava a esconder o radar. Muitos seriam apanhados, o local foi bem escolhido por eles, era uma descida e como o carro era um carro civil, muita gente não se iria aperceber. Nós continuamos o nosso caminho sossegadamente.
Depois de Vila Real andei num troço da IP4 no qual nunca tinha andado, nunca tinha passado de Vila Real, desta vez estava previsto ir até Mirandela ou bem próximo. Não chegamos até lá, um pouco antes deixamos a IP4, o nosso destino era Vila Flor. A estrada piorou imenso, o piso nada tinha a ver com o que tínhamos pisado na IP4.
Passamos por aldeias que parecem ter parado no tempo, locais com edifícios muito bonitos, antigos mas mal tratados, outros são o reflexo dos custos da imigração, os imigrantes construem a casa com as linhas da região onde trabalham ou trabalharam, depois resulta em autênticos abortos, era o que se passava com uma enorme casa numa dessas aldeias por que passamos.
Com muitas subidas e descidas lá continuávamos nós o nosso caminho, poucos Km. faltavam para Vila Flor, mas com o piso da estrada e as imensas curvas os poucos Km. que faltavam pareciam muitos mais. Finalmente chegámos a Vila Flor, local pequeno mas engraçado.
Paramos no centro, fomos a um café tomar qualquer coisa, como de costume nestas viagens costuma ser alguma coisa com algum teor alcoólico, desta vez não foi excepção, pedimos moscatel de favaios para todos, ou melhor para quase todos, o António não bebe. Favaios também não tinha, fomos num vinho do Porto normal, nada tinha a ver com o vinho que bebi em casa do pai do Alberto no baptizado do João, esse sim era um bom vinho do Porto. Mesmo assim bebemos. O local onde estávamos tinha bem marcado a sua cor clubista, nesse aspecto não poderíamos ter escolhido melhor, muito azul e branco.
Quando o vinho do Porto já se tinha evaporado dos copos, o António pagou, foi o “castigo” por não ter bebido, e partimos, mas não abandonamos Vila Flor. O António lembrou-se da senhora que faz pão em casa, local onde estivemos da última vez que por aqui passamos, tínhamos de lá ir e fomos.
Quando chegamos a casa estava uma fornada quase a sair, esperamos cerca de cinco minutos e o pão começou a sair. Muito pão a mulherzinha faz, esta fornada que estava a sair rapidamente desapareceu, mal acabou de tirar o pão do forno, voltou a pegar fogo, sinal que mais pão ia ser feito. Como já todos nós tínhamos feito as compras era mesmo hora de partir para Moncorvo.
Continuamos por estradas estreitas e piso mais que irregular. Bem longe dali no cimo de uma elevação lá estava Moncorvo, muito tínhamos de andar. Alguns Km. depois apanhamos uma estrada que dizem ser a IP2. Pelo menos o piso melhorou consideravelmente, quanto ao resto era uma estrada normal, com uma faixa de rodagem para cada lado.
Passamos junto ao local onde vão construir a barragem que vai substituir a de Foz Côa, é um local onde não vive ninguém e já fica muito próximo de Moncorvo. Moncorvo que aguardava por nós, estávamos perto, mais uma meia dúzia de Km. e estávamos lá. Assim foi, eram horas de almoçar, a fome começava a apertar, mas quando pensava na posta e fome já não era tanta assim.
O restaurante foi o mesmo onde tinha estado da minha última passagem por estas zonas, o Lagar. Só que desta vez não era a confusão que tinha sido da outra vez. Dessa vez o restaurante estava a abarrotar, felizmente para nós desta havia muitas mesas vazias, como tal não havia muito barulho.
Como previsto toda a gente pediu “Posta a Lagar”, mas para mim e o António era meia dose, não me estava a imaginar comer aquilo tudo sozinho, os outros sim. Para acompanhar a posta veio vinho tinto e branco, eu fui para o branco mas misturei com Seven Up. Não me sentia com “coragem” para beber o vinho simples, acho até que se o fizesse ficaria mal disposto.

Um Périplo pelo Douro e Tua II


O almoço estava a correr bem, estava animado, as postas iam desaparecendo dos pratos, o vinho também. No fim para a sobremesa eu pedi melão, veio uma boa fatia em quantidade mas não em qualidade, era verde. Terminado o almoço , nós continuávamos a nossa viagem. O Caminho que íamos levar, já eu conhecia. De Moncorvo íamos até ao Pocinho para depois subirmos até Vila Nova de Foz Côa, é actualmente um lugar em foco, devido ás gravuras rupestres, até então pouca gente deveria conhecer aquele lugar. Eu estou farto de lá passar mas nunca fui ver as gravuras, geralmente é local de passagem nas nossas digressões.

O Calor apertava, depois de almoçar e com o tempo que se fazia sentir, só apetecia dormir. O Fernando não podia adormecer, não dava jeito nenhum porque era ele que ia a conduzir, eu também não costumo adormecer quando vou junto ao motorista, o resto do pessoal parece que não se importava muito de perder as belezas paisagísticas por onde passávamos, de tal forma que atrás só o António não adormeceu.

A estrada piorou logo que entramos na estrada que vai para S. João da Pesqueira, é um martírio até lá chegar, depois disso melhora um pouco.

Quando chegamos a S. João da Pesqueira, paramos, abastecemos a carrinha e fomos beber uns refrigerantes, bem frescos. Numa sala contígua tinha umas mesas com matrecos, cheios de pó e algumas teias de aranha à mistura, aproveitamos para tirar um pouco de ferrugem aos bonecos, deu para jogar umas três partidas, depois disso era hora de continuar o nosso caminho.

O pessoal parecia não ter grande vontade de partir, como tal o Fernando gozou um pouco com o António e o vizinho, quando eles estavam quase a alcançar a carrinha, o Fernando arrancava, fez isto umas três a quatro vezes, até que finalmente os deixou entrar.

Seguimos viagem, direcção Régua com passagem pelo Pinhão. Esta zona por onde andava é uma região de cariz vinícola, ou não fosse a região do Vinho do Porto. Aquelas montanhas cheias de socalcos e bastante verdes da vinha , embelezam a paisagem, é extraordinariamente belo. Passamos por enormes vinhas, é este o cenário durante km. e km. de estrada.

Quanto mais nos aproximamos das margens do Douro mais se intensifica a quantidade de vinhas. Lamentavelmente ou talvez não, muitas quintas estão em mãos estrangeiras, talvez se estivessem em mãos nacionais estariam abandalhadas à boa maneira nacional.

Começamos a ter o Douro como companhia, como é agradável viajar por ali, calma, beleza, e um ar puro. São coisas que não tenho diariamente.

Como a estrada era muito boa, tem piso novo, andamos em boa velocidade até pararmos na barragem junto à Régua. Tinha algumas pessoas aglomeradas a espreitar para baixo, pensamos que estaria alguma barco a passar, mas não, tinha era vários barcos pequenos à espera do barco grande para apanharem boleia e passarem ao mesmo tempo. Gostava de ter visto, é algo que nunca vi ao vivo e deve ser bonito, acho curioso como um barco passa de um nível inferior para um nível superior ou vice versa, acaba por ser um elevador.

Como não se previa nos próximos minutos acontecer a passagem, ainda não se avistava o barco grande, partimos. Passamos na Régua e não paramos. A nova ponte da Régua está bem adiantada, fica é bem alta e ainda por cima faz curva.

Ao passarmos na Régua recordamos o dia em que ali estivemos e ficamos a dormir em S. Marta de Penaguião, S. Marta onde chegamos alguns, poucos, minutos depois.

Ao entrar na freguesia, vimos um grupo de pessoas que estavam a jogar malhas na rua, tiveram que se arrumar para passarmos, apenas conhecíamos uma pessoa, o Zeca. Fomos para casa pai do Domingos, estavam lá algumas pessoas entre as quais o pai do Domingos, a mãe, o filho do Domingos, o Nuno, outras pessoas que eu não conhecia mas do Domingos nem sinal. Saímos da carrinha e entretemo-nos um pouco com aquele pessoal, até que finalmente chegou o homem que queríamos, o Domingos.

Fomos para a adega do pai do Domingos, como de costume bebemos umas pingas. O vinho que ele tem é muito bom, inclusivamente o vinho do Porto. Eu bebi meio copo de vinho branco, não dava para beber mais. O tempo estava a andar demasiado rápido para o desejado. Fomos até casa do Daniel, ele tinha umas Tshirt´s para o Fernando trazer, são para estampar com vista ás eleições autárquicas. Algum tempo demoramos por ali, inclusivamente estivemos a observar um Fiat Uno de um deles que teimava em não pegar a não ser de empurrão. Quando tudo ficou definido, viemos até casa do Fernando , ele só foi cumprimentar os pais e partimos de imediato.

Descemos para a Régua, o pessoal vinha sossegado, levamos o caminho normal quando ali vamos, viramos para Mesão Frio. Por vezes dava alguns aguaceiros bem fortes, tinha pena das pessoas que se encontram junto à estrada a vender fruta. Algumas dessas pessoas já eram de idade, quase sempre mulheres.

Quando chegamos novamente ao “Cavalinho”, paramos, mais uma rodada de panados, desta vez foi o Fernando que não comeu. O António foi em dois, devia estar com bastante fome. Aproveitei para telefonar para casa a dizer que ia chegar mais tarde do que inicialmente previsto.

O panado foi regado com duas colas, desapareceu tudo muito rápido. Depois de tudo comido e bebido, nada mais tínhamos a fazer por ali, então partimos. Fomos apanhar bem próximo dali a IP4, e depois entramos na auto estrada, nada de significativo durante o percurso aconteceu a não ser o pessoal a começar a alinhavar a nossa digressão ao Alentejo, embora não se tenha definido datas.

Quando chegamos à portagem de Ermesinde paramos ao lado de um Renault Clio que tinha no seu interior duas mulheres, e que mulheres. O António ainda lhes começou a acenar elas deram troco só que tivemos que arrancar e perdemo-las.

Fomos até casa do António deixar o dito mais o vizinho, eu nem da carrinha saí, depois viemos a Gueifães deixar o Zé e por último o Fernando deixou-me em casa. Tinha terminado mais uma curta viagem por este bocado de terra a que chamam Portugal.

terça-feira, 10 de março de 2009

S. Marta de Penaguião - Vindimas 96


5 de Outubro de 1996, feriado nacional.

Estava combinado este fim de semana ser passado em terras do Douro. É a altura das vindimas.

Desta vez o roteiro previamente delineado previa uma ida a Bragança, local nunca visitado por mim.

Bem cedo o Fernando passou por minha casa, eram 6h20m. já estávamos com um ligeiro atraso em relação á hora prevista, a culpa era toda minha, acordei um pouco tarde.

Tínhamos que passar por casa do Adélio e de seguida por casa do António Augusto , lá é que seria o local da concentração e partida.

Logo que chegou o resto do pessoal, partimos de imediato. A ideia de partir de casa do António surgiu porque apanhávamos a via rápida até á auto estrada, mas nada disso aconteceu porque a mulher do António tinha feito uns bolinhos de bacalhau, vai daí o Adélio disse que tinha um vinho muito bom em casa e queria passar por lá para levar umas garrafas, assim aconteceu.

Como era cedo e o transito diminuto decidimos não ir pela auto estrada,

fomos pela estrada nacional que até não é má.

Bolinhos de bacalhau já nós tínhamos, vinho também , faltava o sempre admirável pão. Depois de passarmos em Penafiel e antes de chegarmos ao desvio para o Marco de Canaveses paramos junto a uma padaria, fomos comprar pão fresquinho ou melhor quentinho. Logo ali comemos um pouco de pão, mas não passou disso, tínhamos que continuar a viagem rumo a Bragança , estava previsto mas não iria acontecer. Tudo porque o Fernando , como sempre sugere os locais a visitar, sugeriu outros locais que não contemplavam Bragança. Falou em locais que foi necessário consultar no Mapa, todos desconheciam. Como sempre nestas ocasiões o pessoal aceita O Local que não sofreu alteração quanto ao nosso programa foi as Fisgas, íamos lá por minha causa, já todos eles conheciam o dito local, eu é que não. A minha curiosidade era imensa, todos falavam maravilhas do local, eu queria ver in loco tal maravilha. Dificilmente ficaria maravilhado, porque maravilhas tinha eu visto na minha recente visita a S. Miguel, mas estava receptivo a tudo.

Passamos em Amarante, foi mesmo passar porque nem paramos, aí entramos na IP4.

Antes de chegarmos a Vila Real saímos da IP4, de referir que a paisagem que nos é dada a contemplar é bela, belo é também o caminho até ás Fisgas. Durante um pouco a estrada é embelezada com castanheiros de ambos os lados.

Passamos por locais onde muita gente andava ocupada nas vindimas.

9h15m estava eu finalmente nas Fisgas.

Estava eu em pleno Parque Natural do Alvão. Os incêndios também aqui tinham feito estragos. Lamentavelmente existia uma grande mancha amarela, estava tudo queimado. Paramos num sitio , do qual se pode observar uma queda de água, no inverno com um caudal superior deve ser bem mais bonito do que agora. O local onde nos encontrávamos é demasiado alto para me aproximar da beira de forma a observar o leito do rio.

Decidimos que era hora de comer alguma coisa, devoramos os bolinhos que o António tinha levado, comemos pão e bebemos vinho!, aquela hora da manhã eu a beber vinho, parece impossível mas é verdade, também foi pouco.

Quem não gozou em pleno este ligeiro repasto foi o Fernando, andava preocupado com a carrinha, um pouco antes tínhamos observado que estava a perder um liquido um pouco viscoso, as opiniões eram variadas, desde que seria água até que poderia ser óleo dos travões. Ficamos na incerteza.

Ficou decidido que não iríamos a Bragança, a proposta foi feita pelo Fernando, proposta aceite . O Fernando propunha outros locais que segundo ele também tinham interesse e sempre ficavam mais perto do que Bragança.

Partimos, íamos para Vila Real mas um pouco preocupados com o estado “clínico” da carrinha, não sabíamos a origem da água que estava a verter.

Andamos á procura de uma estrada nova, dizia o Fernando, que vai para Vila Real, estava difícil encontrar a dita. Esta zona é bonita e muito calma, não se via ninguém, nem mesmo nas casas. Eram aproximadamente 10horas, talvez as pessoas estivessem a trabalhar nos campos, apesar de ser feriado e também era altura das vindimas. Chegamos a uma aldeia, passamos por uma mulher que aparentava ter cerca de 3 dezenas de anos e tinha mais barba do que eu. Perguntamos pela estrada que andávamos á procura , ficamos a saber que já lá tínhamos passado bem perto. Voltamos para trás, quando apanhávamos uma zona de subida o ponteiro da temperatura disparava rapidamente para níveis alarmantes, pelo menos veio dar indicações que o liquido que estava a sair não seria óleo dos travões, tudo indicava ser água.

Para chegarmos á tal estrada “nova”, tivemos que abandonar a estrada em que seguíamos e entrar numa que mais parecia um caminho de cabras, á entrada dessa estrada tinha uma placa com a indicação de Pioledo. Lá fomos nós, da estrada nova nem sinal. Um pouco mais á frente existia um caminho bem largo, para o que era usual na zona, mas em terra batida, era a tão falada e procurada estrada nova. Passamos por aldeias que parecem estar num outro tempo, estão completamente afastadas da “civilização”.

Uma dessas aldeias tem um nome no mínimo curioso, pelo menos para mim, chama-se Lamas de Olo, é uma aldeia muito pequena, um detalhe ao qual o António Augusto me chamou a atenção foi o facto de na paragem da camioneta, julgo que seria para tal, o interior estava “revestido” com caixas do correio, todo o habitante da aldeia tinha ali a sua.

Adoro andar por este tipo de locais, são coisas que não vejo diariamente e tudo isto quebra a rotina que é a nossa vida diária.

Pouco tempo depois chegamos a Vila Real, não fazia a mínima ideia do caminho que iríamos seguir, mas rapidamente fiquei esclarecido. A estrada conhecia eu, era onde se efectuavam as corridas em Vila Real. Continuamos em direcção ao Pinhão, bem juntinho ao Douro. Nesta estrada existem duas casas feias e com uma história no mínimo curiosa. Dois homens que na sua luta pela vida, decidiram procurar ganhar um pouco mais num país que não o nosso, nos seus regressos esporádicos á sua terra natal, para darem mostras que lá fora é que se ganha dinheiro, foram construindo a sua humilde casinha, aí é que começaram os problemas. Como cada um queria mostrar ao outro que tinha um poder económico superior ao vizinho foram construindo, daí que aquelas casas para bem dos olhos de quem por lá passa deveriam ser demolidas. Quanto mais perto estávamos do Pinhão, mais aumentava a azáfama das vindimas. A paisagem é conhecida por todos, é um postal ilustrado. As íngremes encostas, todas cheias de “degraus”, com imensas vinhas. Afinal estava eu em pleno centro de produção de uma vinho que tem o nome da invicta cidade.

De Vila Real até ao Pinhão foi sempre a descer, agora seria sempre a subir, íamos a Moncorvo, era lá que íamos almoçar.

Passamos em S. João da Pesqueira eram 12h00 em ponto, paramos num posto de abastecimento para meter mais água na carrinha, enquanto o Fernando metia água eu fiquei na carrinha, o resto do pessoal foi beber qualquer coisa. Antes de chegarmos a Moncorvo passamos num local que em pouco tempo passou do anonimato para o estrelato, Vila Nova de Foz Côa, nem paramos foi mesmo sempre a andar, a fome começava a dar sinais.

Chegados a Moncorvo fomos almoçar. O restaurante Lagar, assim se chama, fica bem próximo da igreja, só tem um sala, enorme por sinal e com aspecto antigo. Deu para perceber que é um restaurante frequentado por caçadores, inclusivamente o empregado estava convencido que também eramos, mas não, pelo menos por enquanto.

Os dois pratos mais conhecidos no restaurante são, a posta á Lagar e a costoleta á Lagar. É impossível sair de lá com fome, a posta é um grande bocado de carne, não cabe toda no prato, a costoleta é igual, deu para comer bem e não foi tudo, sobrou muita coisa.

Eu também não estava nos melhores dias, de tal forma que nem vinho bebi.

Após tal refeição partimos sem eu saber exactamente para onde.

A carrinha parecia ter estabilizado, o ambiente entre o pessoal estava animado, a tarde prometia.

Fomos até um local que penso ser Vila Flor, fica para os lados de Mirandela, já lá tinha estado com o Miranda a Teresa e a Paula.

Quando chegamos a Vila Flor, fomos a uma casa onde uma senhora de uma idade respeitável faz pão caseiro, tinha 6 compramos tudo. São enormes, cada um fica a duzentos escudos. Do que eu comprei comi um pequeno bocado, foi mais para ver se era mesmo bom. Quem sugeriu a compra foi o Adélio, parece que ele costuma passar férias no parque de campismo. Parque de campismo que fica numa zona muito sossegada e bonita, tem um mini zoológico só com algumas aves e alguns veados.

Fomos ao bar que se situa em frente ao parque beber alguma coisa, bebi uma cerveja mas não me soube bem, decididamente não era dos meus melhores dias. Partimos novamente sem saber para onde. Passei em locais que reconheci, e só lá tinha passado uma vez.

Entramos numa estrada que desce de uma forma assustadora, vai até ao rio Douro, pelos vistos os ciclistas na Volta a Portugal passam por ali mas a subir, não é para todos.

Chegamos a barragem da Baleira, tinha as comportas fechadas, um barco com turistas ao que indicava ingleses, aproximou-se das comportas, aquilo é que é vida, bons passeios.

O tempo começava a escassear.

Se muito tínhamos descido, agora muito tínhamos para subir. Bem lá em cima , com uma magnifica vista sobre o Douro, fica uma localidade que se chama S. Salvador do Mundo. É um local cheio de minúsculas capelas, “batemos” a zona, é um ponto turístico.

Tirei algumas fotos, são recordações, muitas vezes de locais que nunca mais visitámos.

O relógio já andava pelas 17h40m., estava na hora de partir para a Régua, depois de tantos Km. tínhamos jogo ás 20h.

Voltamos a passar em locais onde já tínhamos passado neste mesmo dia, passamos em S. João da Pesqueira e no Pinhão.

Chegamos á Régua ainda um pouco cedo para a hora marcada, de tal forma que fomos a um café junto á marginal, uns bolos e umas cervejas, eram as calorias para aguentar o jogo.

Começaram a surgir dúvidas quanto ao facto de passarmos lá a noite ou vir para casa, prevaleceu o que tinha ficado previamente combinado, ou seja dormir lá e regressar no dia seguinte. Mas a “discussão” sobre se lá ficávamos fez mossa.

Chegou a hora do jogo, a vontade de jogar não existia

O jogo foi no pavilhão da Régua, é muito grande para as nossas pernas aguentarem o ritmo imposto por eles, no entanto resistimos bem, apesar do resultado final nos ter sido desfavorável por um simples 4 - 1 .

No fim do jogo fomos jantar, o restaurante escolhido foi em S. Marta de Penaguião, a empregadaque nos serviu era bem mais apetitosa que o jantar, julgo eu pois não a provei.

Depois do jantar o ambiente fica um pouco mais caloroso, nalguns casos é o efeito do maduro, mas coisas sem grande significado. Estava na hora do café para quem o toma. A sala de jantar era no primeiro andar, descemos para o café, com tanta malta para tomar café, gerou-se uma pequena confusão com a quantidade de cafés.

Após o café, alguns dos locais foram para casa, outros foram connosco até um outro café. É um café agradável, bem decorado e até o nome é sugestivo, Porto Douro, tem também uma sala de jogos embora fique separada do café. Fomos para lá, estivemos por lá um bom bocado, nada joguei, também não tenho habilidade para jogar bilhar, como tal fiquei a ver e a mandar algumas bocas.

Começava a chegar a hora de dormir. Eu o António, o Rui e o Zé fomos

para casa dos pais do Domingos, o Fernando e o Adélio foram para casa dos pais do Fernando.

Os dois últimos como não dormiam na nossa casa emprestada por uma noite, foram embora, ficamos os quatro. A vontade de dormir era pouca, daí que estivemos naquele que foi o meu quarto e o do Rui a jogar á moedinha, comer do meu pão e a beber “7 UP”. Estivemos nesta brincadeira um bom bocado de tal forma que nem sei a que horas acabou .

Domingo 6 de Outubro de 1996.

A noite foi demasiado curta, bem cedo comecei a ouvir o pessoal das vindimas no campo, mas o sono era mais forte do que eu. O António veio ao quarto acordar-nos. O primeiro a levantar foi o Rui eu estava á procura da coragem. Mas tinha de ser, após o Rui ter saído da casa de banho lá fui eu.

Já passava das 9horas quando o grupo de reuniu. Descemos até Santa Marta para tomar o pequeno almoço, comi dois bolos e bebi um sumo, no fim paguei

a conta de todos, é costume de vez em quando alguém pagar a conta, desta vez decidi ser eu.

O movimento de tractores começou a aumentar, vinham carregados com uvas para a Adega Cooperativa, inclusivamente o Domingos também já lá tinha um dos dele.

Voltamos a subir para Sanhoane, íamos vindimar. Arranjaram umas tesouras e baldes e começamos a nossa vindima. Andamos numa vinha de bardos, julgo ser assim que se chama aquele tipo de vinha. Tinha uvas muito boas, talvez venha a dar um bom tinto, uvas brancas por ali não tinha quase nada. Rapidamente limpamos aqueles bardos, depois tínhamos uma pequena ramada , mas aí já era preciso escada, quem andou a fazer esse bocado foi o Adélio. Demorou mais esse bocado de ramada do que os bardos, a brincadeira também aumentou.

Estava na hora do almoço, almoço que foi em casa do pai do Domingos.

Não foi a primeira vez que lá almocei, a comida é saborosa. A cozinha é das antigas, também cozinham a lenha, o que torna a comida muito mais saborosa. Comi bem e também bebi bem, o vinho era da propriedade, não tinha misturas era puro sumo de uva.

Almoçar com o pai do Domingos é sinónimo de boa disposição. Quando ele começa a contar episódios da vida dele, muitas vezes dá azo a uma gargalhada geral, são momentos hilariantes aqueles, com isso um almoço demora á vontade umas duas horas ou mais.

Terminado a almoço nada mais tínhamos a fazer por ali, começávamos a pensar no regresso a casa. Começava a chegar ao fim um fim de semana diferente.

No regresso a casa viemos pela Régua e depois viemos a Mesão Frio e Amarante, aqui fizemos como de costume uma paragem, curta, partimos em direcção a casa, não voltamos a parar, pese embora alguns queriam fazer uma paragem num café, só que nem todos serviam, daí que quando nos apercebemos estávamos em casa. É o eterno problema de começar a escolher o local, nunca dá certo.

Estava terminada esta viagem ás vindimas no Douro, têm algumas particularidades, deu para ver “ao vivo e em directo”, mas não é nenhuma brincadeira andar com os cestos nas costas. A mim nada custou, só vi.