Mostrar mensagens com a etiqueta Paris. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paris. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ma Voyage á Paris Cap. 5


Sexta Feira 03 de Maio de 1996.

Chegou a hora da partida, não dormi nada, estava cheio de sono. Já estava eu no banho quando tocou o telefone, era o “despertador”. Tinha agendado nessa noite estar com a Isabel em Braga e ainda estavam em Paris. É espantosa a velocidade a que hoje podemos viajar, permitindo percorrer longas distâncias num curto espaço de tempo. Abandonei o hotel uma hora depois, estava a chegar a recepcionista, dirigiu-se para mim para se despedir, afinal ajudei-a , quando os broncas estavam cá, eu fiquei um pouco surpreendido , mas lá demos uns dois “au revoir”. Parti.

Uns cem metros abaixo do hotel, parei para tirar a minha última fotografia em Paris, era uma estátua de relógios. Continuei embalado a descida, tinha que ir até ao local onde comecei a sangrar, para apanhar a camioneta da air France. Paris estava estranhamente deserta, só tinha as brigadas de limpeza, a limpar as ruas, de resto, mais ninguém.

Demorei mais ou menos vinte minutos, a percorrer o caminho, quando lá cheguei já lá estava a camioneta. Paguei 42 francos. Pouco depois a camioneta partiu. Passei por locais que ficaram por conhecer.

A viagem demorou cerca de meia hora, faltava muito para o Check In. Ainda não aparecia a indicação do voo nos monitores. Nada mais podia fazer do que esperar. Finalmente apareceu a indicação do voo e o respectivo local para fazer o Check In. Quando me preparava para fazer o Check In , fui informado que tinha que me dirigir a um dos muitos balcões de agências que lá existem, levantar um papel. Lá fui, levantei o dito cujo, tinham o meu nome numa lista. Voltei para o Check In, estava pronto para partir.

Quando entrei para a sala de embarque, tive mais uma vez de tirar tudo o que era objecto metálico, finalmente a campainha calou-se. Passei, mais á frente estava um gajo a pedir um documento qualquer de identificação, passei, entrei para uma enorme sala, estava quase na hora de partir.

Começou a chamada para o meu voo, mas até nisto foi diferente, aqui existem aquelas mangas, que unem a sala ao avião, então a chamada foi diferente daquilo a que eu estava habituado, como a entrada para o avião era feita pela frente, começaram por chamar os últimos lugares, dessa forma evita a confusão que existe dentro do avião com o cruzamento de pessoas á procura do lugar. Como o meu lugar era tal como na ida o 11C, fui dos últimos a embarcar. Também me apercebi que mais uma vez não dava janela.

Como o avião não vinha cheio, troquei de lugar, fui para um de forma a poder apreciar a paisagem, gastei algumas fotos. Tomei o pequeno almoço a bordo, comecei a comer sem saber uma sande mista, apercebi logo que havia queijo por ali, comecei a ter vómitos, tal como me aconteceu em Paris quando tentei comer um hamburger que me custou 59 francos, mas só tentei, não comi.

Cruzei-me com outro avião mas a distâncias bem razoáveis. Ao ver as nuvens por cima, parecem macias, dá vontade de as acariciar, só que se as tentamos agarrar elas fogem-nos por entre os dedos.

Passei por montanhas cobertas de neve, não sei se seriam os Pirinéus.

Estava a chegar ao Porto, ia realizar um velho sonho que era aterrar na minha cidade, nunca tal tinha acontecido, ia poder ver o Porto desta grande mancha azul que parece não ter fim. Durante a viagem fui tirando algumas fotos.

Quando começamos a descer para aterrar o avião acompanhou o Douro, durante um bom bocado, depois virou para Gaia, nesta altura o meu rolo na máquina tinha acabado, senti uma enorme frustração, não ia poder tirar a foto que pretendia. Gostei muito de ver o Porto das alturas.

Finalmente cheguei, eram 11h26 quando o avião tocou o solo.

Não demorei quase nada a abandonar o aeroporto, logo que saí apanhei o autocarro para o Porto, ia comprar bilhete da camioneta para Braga.

Cheguei a casa pouco faltava para as 14horas.

Telefonei para a fábrica, falei com o Alberto e o Firmino, levei um pouco de festival pelo Porto ter perdido, já sabia, só tinha de aguentar. Voltei a ligar mas para falar com a Isabel, tinha que combinar a minha ida a Braga, ficou combinado ela ir ter comigo á estação quando fossem 21horas.

Passei o resto da tarde em casa, por volta das 17horas fui ao barbeiro cortar o cabelo, jantei cedo e fui para a estação. Apanhei o comboio ás 19h45m., cheguei a Braga eram 21h10m. . Quando saí do comboio não vi a Isabel, mas apareceu logo de seguida, vestia calça laranja, camisola de bico preta e tinha um lenço no pescoço.

Junto ao carro estava aquela que julgo ser a melhor amiga da Isabel, a Sofia, era uma rapariga muito bonita, mas já não tinha certezas de nada, a fadiga estava-me a dominar. Com algum esforço, vi o festival até ao fim. O festival acabou por volta das 3horas, vim de boleia para casa, primeiro no carro da Isabel até á Trofa, depois com a Sofia até casa.

Sábado 04 de Maio de 1996.

Foi o dia de aniversário da Fátima, apesar de ter bilhete para o festival não era possível ir, o jantar acabou por volta das 22h30m. Chegou ao fim uma semana que teve momentos muito altos.

domingo, 8 de março de 2009

Ma Voyage á Paris Cap. 4


Quinta Feira 02 de Maio de 1996.

Cheguei ao meu último dia passado na cidade luz. De manhã dediquei todo o tempo ás compras, tinha de comprar alguma coisa para oferecer. Voltei aos grandes armazéns, comprei tudo o que tinha para comprar, o pior vai ser quando chegar a conta a minha casa, é que pagar com o cartão nem nos apercebemos do que gastamos. A manhã passou muito rápido e ainda tinha tanta coisa para ver. O tempo estava a ser muito pouco, não fui almoçar, fui ao hotel deixar os sacos e parti para o local que tinha previsto visitar no dia anterior, a torre Eiffel. Era muita gente para subir, não podia perder tempo, fiquei com pena mas não dava, fica para a próxima, se houver uma próxima. Bati a zona circundante á torre, estive no Trocadero, é só turistas por estes lados. Vendedores ambulantes abundam por aqui, quase todos africanos. Cheguei a falar com um, era natural do Senegal, ele conhecia Lisboa e Porto, se calhar só de nome mas já não era mau. Esta zona estava vista, faltava o Arco do Triunfo. Ainda fica a alguns minutos de distancia. Depois de percorrer algumas avenidas e conhecer o local onde se situam alguns canais de televisão franceses assim como também fiquei a saber onde fica a loja do Paris Saint Germain, cheguei ao famosíssimo Arco do Triunfo. Também aqui não subi, tal como na Torre tinha fila de espera, eu não estava disposto a entrar em filas. Tirei algumas fotos e era hora de conhecer mais coisas. Comecei a percorrer a famosíssima avenida dos Champs Ellysée. Esta avenida é um autêntico centro comercial, mas de luxo, tudo ou quase tudo que é marca famosa está lá. Por aqui lembrei-me muito de um meu colega , o Rosado, ele aqui ficava passado. Eu só entrei em três lojas, uma era uma discoteca da Virgin, nunca tinha estado numa discoteca tão grande, dei uma vista de olhos bem rápida e saí, depois fui a uma loja da Disney, claro que só tinha artigos para criança, também não comprei nada, era tudo demasiado caro( pelo menos para mim), tinha uma rapariga na porta a dar uns chocolatinhos a quem entrava na loja, o chocolate era bom , mas ela era muito melhor. Cada vez fico mais fascinado por estas francesas. Por último entrei numa loja espectacular em tudo menos numas etiquetas que acompanham cada peça, olhando para essas etiquetas ainda nos sentimos mal, se calhar aquilo nem é caro, se calhar eu é que ganho pouco. Eu que nem costumo usar gravata, mas que gosto de comprar, vi uma que adorei, era Loris Azarro, da marca do meu perfume, pensei em comprar, mas acabei por ficar pelo pensamento, é que custava “apenas” 760 francos, ora a 30 escudos cada franco… . Outra coisa que me deixou “louco” foi o enorme número de mulheres que usam o perfume que eu mais gosto, para mulheres claro, se não era o mesmo era alguma réplica. Decididamente estou apanhado pela mulher francaise. Estava o dia a caminhar para o fim. Ainda nos Champs Ellysée, vi uma exposição ao ar livre, tinha obras de artistas famosos, tudo isto ficava quase no fim da avenida, esta avenida está dividida em duas partes completamente distintas, uma é uma zona comercial, a outra será mais para lazer, com os belos jardins e palácios. Agora é que o dia quase tinha terminado, passei pelo hotel, foi mesmo só uma passagem breve, logo o abandonei, fui ver mais alguns locais e também passei pelo Mc Donald´s estava na hora de comer qualquer coisa. Gostava de ficar mais uns dias por aqui, mas também já começava a pensar no regresso, também queria regressar, estava com imensas saudades, talvez um dia regresse a Paris. Eram mais ou menos 22 horas fui para o hotel, o recepcionista perguntou-me se eu queria que ele me despertasse, aceitei, perguntou-me a que horas, eu disse 5horas, ele achou que era demasiado cedo, só que eu estava a dar a nossa hora, sempre funciono com a nossa hora. Lá chegamos a um “acordo”, para ele eram 6 para mim 5. Subi para o quarto, tinha pressa em adormecer, só que quase não fechei os olhos, tinha medo de adormecer e perder o avião.

sábado, 7 de março de 2009

Ma Voyage á Paris Cap. 3


Quarta Feira 01 de Maio de 1996.
Hoje foi um dia muito estranho. Foi o dia da partida dos broncas que vieram ver o jogo. Ainda bem que me mantive afastado deles. Só me deram trabalho, no hotel tive que ser o interprete deles. Como já estava cheio de os aturar, saí do hotel bem cedo. Encontrei tudo fechado, os franceses levam muito a sério o feriado do 1º de Maio. Quando andava a vaguear pelas largas e compridas avenidas parisienses, vi que junto á ópera se passava qualquer coisa, fui até lá. Quando lá cheguei, vi muita animação. Muitos cavaleiros com trajes do tempo de não sei quantos. Cada vez tinha mais gente a assistir, comecei a ficar completamente “abafado” no meio daquela multidão.
Algum tempo depois, começaram os discursos. Aqui comecei a ver onde me tinha metido, estava numa manifestação dos nacionalistas franceses, saí de fininho. As ruas circundantes estavam cheias de policia. Fui dar uma volta , para me afastar do local. Acabei por regressar ao hotel, estive a ver um bocadinho da R.T.P. Internacional, tinha que atenuar um pouco as saudades que davam cabo de mim.
Estava passada a manhã. A tarde estava prevista ser passada junto dos locais mais conhecidos de Paris, a Torre e o Arco do Triunfo. Pouco passava das 15horas, quando abandonei o hotel , ia com intenção de cumprir o que tinha estipulado para essa tarde. O tempo estava a prometer chuva, não me importei. Logo á saída do hotel, tinha uma rapariga a vender uns ramos com uma flor e uns verdes( não sei o que era), por dez francos, ela pretendia que eu comprasse um para oferecer á minha namorada!, dizia ela. Se na compra do ramo ela viesse junto, comprava o caixote. Quando cheguei ao famoso Sena, vi muita gente na não menos famosa avenida que é conhecida por Champs Ellyssé.
No regresso tinha previsto passar por ali, só que tudo foi bruscamente alterado. Eu ando um pouco constipado, quando isso acontece, acontece por vezes sangrar pelo nariz, aconteceu mais uma vez. Estava eu junto ao edifício da Air France, quando aconteceu o que eu não esperava, ao limpar o nariz, senti que fiquei com os dedos demasiado molhados para o normal, quando olhei já tinha aquilo que deveria ser um lenço branco, com uma mancha vermelha. Tive alguma dificuldade para parar o sangue, fiquei sem o lenço e inclusivamente tive que usar alguns lenços de papel que tinha no bolso para limpar os óculos. Tinha a tarde estragada. Com receio que o sangue voltasse a fazer estragos e uma vez que não tinha mais lenços no momento, decidi voltar ao hotel, eram aproximadamente 17horas, não voltei a sair nesse dia, nem para jantar. Foi um resto de dia muito chato, fiquei deitado na cama a ver televisão. Á noite pedi na recepção para me confirmarem o voo de regresso, pela conversa acho que me fizeram uma reserva.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ma Voyage á Paris Cap. 2


Terça Feira 30 de Abril de 1996.

Chegou o dia do jogo, ainda não tinha bilhete e estava com pouco dinheiro no bolso, tinha que passar pelo banco.

Estes gajos não dormem nem deixam dormir, toda a noite há imenso movimento( transito) nas ruas, talvez sejam os custos de estar em pleno centro, apesar de tudo isto ser um grande centro. Recordo-me que quando passei pela primeira vez em Paris, foi de camioneta, ia a caminho da Alemanha, quando passei na auto-estrada eram 5h. era uma loucura o movimento aquela hora, agora pude comprovar isso mesmo.

Ás 7horas trazem o pequeno almoço ao quarto, hoje antes de tomar o petit dejeuner fui tomar um bom banho, quando vinha a sair do banho, todo descascado, entra a mulher no quarto para recolher o tabuleiro, que situação. Se ela ainda fosse nova … . Claro que não levou o tabuleiro, eu não estava a fazer regime alimentar.

Saí do hotel por volta das 8horas, procurei o Banco Espírito Santo, onde eu pensava existir, já não era ali. Como tinha levado o eurocheque e quando estive na Alemanha não tive o mínimo problema, pensei que por aqui também não iria ter, como eu estava enganado.

Nenhum banco me aceitou o dito cartão. Finalmente após muito ter andado pelas boulevard´s de Paris, encontrei um banco bem lusitano, o Banco Borges e Irmão. Como foi bom, todos os funcionários falavam a nossa língua, estava com as nossas gentes. Lá consegui levantar dinheiro , mas com o cartão visa, ninguém aceita o eurocheque, pelo menos foi visitar Paris. Fiquei com mais alguns francos no bolso, pouca coisa.

Como diz o povão, não há fome que não dê fartura, assim foi , tive imensas dificuldades em encontrar um banco português, depois do primeiro apareceram quase todos , só o Banco Espirito Santo continuava “escondido”. Se já tinha dinheiro no bolso, tinha que começar a investir. Fui á Maison de la Comedie Francaise , por ali tinha muita coisa alusiva ao teatro. Comprei dois pins para oferecer á Isabel, um tinha o nome dela Isabelle o outro chama-se Leandre, toca qualquer coisa parecida com viola, como a Isabel toca viola na Tuna… .Por momentos pensei em comprar um pequeno quadro com uns versos, só que no fim da leitura achei por bem não oferecer aquilo.

Depois de umas voltas pelas redondezas, vi o edifício da ópera , o museu do Louvre e muitas mais coisas. Bem próximo do museu do Louvre , entrei num estabelecimento para comprar postais para escrever.

Quase que não aguentava estar lá , tinha um cheiro insuportável e intenso, de tal forma que me ardiam as narinas. Foi mesmo em frente ao museu do Louvre. Como já tinha postais faltavam os selos, andei á procura dos “Poste” , facilmente encontrei um, três francos foi quanto paguei por um selo para enviar os postais. Só me faltava escrever e meter no correio.

Quando andava a explorar mais um pouco de Paris, comecei a sentir alguma coisa que me estava a magoar o meu pé esquerdo, tinha que ir para o hotel, também já estava bem próximo das 15horas, tinha que comer qualquer coisa.

Quando cheguei ao hotel, fui para o quarto, tirei o sapato e fiquei a saber que o que me andava a magoar era a unha do “dedão” , finalmente tinha saído, saiu inteirinha, o dedo sem unha é que estava muito esquisito.

Aproveitei para escrever os postais, só eram dois, escrevi qualquer coisa só para preencher o papel. Abandonei o hotel logo de seguida , parar era morrer, tinha muita coisa para ver.

Meti os postais no correio quase em frente ao hotel, na Gare Saint Lazare.

Fui para a zona dos grandes armazéns, estão quase todos concentrados na mesma rua e seguidos. O movimento nesta zona é demais. Curiosamente nesta boulevard para além dos ditos armazéns , tem os vendedores que têm as suas bancas nos passeios. Julgo que tudo aquilo é legal, de tal forma que mesmo ali se pode pagar com multibanco e tem de tudo, tudo isto fica na Boulevard Haussman. Andei só a ver até agora nada comprei para além dos Pins para a Isabel.

Ando fascinado com as francesas. Nunca fui adepto das mulheres que usam cremes na cara, só que estas sabem arranjar, de forma a nada ficar em demasia, inclusivamente tenho visto algumas velhas com bastante charme, mas essas é só isso mesmo, as outras, bom as outras têm algo mais. Com tudo isso tenho feito muito exercício ao meu pescoço, de tanto mudar de direcção o meu olhar. Nestas ocasiões precisava de ter mais olhos.

No transito estes gajos são completamente diferentes de nós, muito mais perigosos a conduzir, são mesmo loucos, mas respeitam muito mais os peões. Já vi algumas situações que se fosse na nossa terrinha..., era uma autentica sinfonia de buzinas. Vi um reboque da policia chegar a uma rua com muito movimento, parar o transito e fazer as manobras necessárias para rebocar o automóvel, nem cinco minutos demorou, no entanto não ouvi uma única buzinadela. A Policia por aqui não tem contemplações, se o reboque passa na rua e está um carro mal estacionado, vai logo. Se calhar é por isso que ainda não vi nenhum engarrafamento.

Finalmente quando o ponteiro do relógio passava pelas 18horas(hora local) encontrei os gajos que também vieram para ver o jogo. Reconheci o guia , tinha visto aquela cara no aeroporto quando lá andava perdido, se calhar na altura ele também andava á minha procura. Fiquei a saber que telefonaram para a agência a perguntar se eu tinha embarcado, quando lhe confirmaram , ele pensou que se calhar eu tinha lá família á minha espera, e eu lá perdido. Mas como em tudo na vida também esse problema foi ultrapassado. Fiquei sem mais 6 contos, tinha que pagar o bilhete para o jogo.

Partimos para o estádio, passei pela primeira vez desde que aqui cheguei pela Torre Eiffel, bela como sempre. Chegamos ao estádio ainda era cedo, faltava cerca de hora e meia para o inicio do jogo, demos umas voltas pelas redondezas.

Estava na hora de entrar no estádio, para lá entrar fui revistado de uma forma que considero ser apalpado três vezes. Tudo feito sem atropelar ninguém, também a quantidade de policia que lá estava … .Faltavam cerca de cinco minutos para se iniciar o jogo quando finalmente me sentei na “minha” cadeira. Começou o jogo, estava rodeado de “avecs”, que para mim são os imigrantes que falam Português e Francês, tudo misturado. O Sporting a jogar e a marcar, o Porto a abrilhantar a festa, muito pensei nos seis contos que paguei pelo bilhete. Logo que terminou o jogo, abandonei o estádio, nem vi a entregar a taça. Era hora de regressar ao hotel e dormir para esquecer este fim de dia. Alguns foram para a noite parisiense( a maioria) , também me convidaram, não aceitei porque por aquilo que me apercebi durante o jogo, eles iam passar a noite em bares e putedo, eu não vim a Paris para ir ás putas.

De regresso ao hotel passei pelos dois locais mais conhecidos de Paris , a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. Como já era noite a torre estava toda iluminada, é belíssima. São locais que á noite têm uma enorme carga de romantismo, e eu só.

Chegado ao hotel fui para o meu quarto, liguei a televisão, vi alguns filmes e … adormeci com a televisão ligada.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ma Voyage á Paris Cap. 1


Domingo 28 de Abril de 1996.
É a véspera da minha partida para Paris, o meu estado de ansiedade é elevado, quero partir o mais depressa possível. Estou de tal forma excitado com a viagem que nem dei importância á derrota do Porto hoje para o campeonato com o Guimarães. Já tenho tudo preparado para partir, além da roupa e da minha inseparável máquina fotográfica e um livro do António Nobre, o titulo é muito sugestivo e enquadra-se nesta fase, chama-se “Só”.
Segunda Feira 29 de Abril de 1996.
Este foi um daqueles dias grandes e um grande dia, tal o volume de situações que vivi.
Levantei-me por volta das 8horas. O meu pai levou-me ao aeroporto, no caminho passei na fábrica mas não parei. Cheguei ao aeroporto por volta das 9h30m. era muito cedo para o voo, esse tinha hora marcada para as 11h55m. como se imagina grande seca eu levei.
Quando o ponteiro do relógio tinha acabado de passar pelas 10horas fui fazer o Check In. O meu lugar era o 11C, imaginei logo que não daria janela. Como não tinha nada para fazer e ainda faltava bastante tempo para o avião, decidi telefonar para a fábrica , estava na hora do intervalo, resolvi falar para a malta para dar um adeus até breve . Falei com o Alberto e o J. C. .
Estava a chegar a hora da partida.
O avião levantou passavam 13 minutos do meio dia, minuto 13, não costumo ligar muito a superstições, no entanto desta vez fui pensando se seria um minuto de sorte ou de azar.. Novamente tive o prazer de sentir aquele gostinho de sentir o avião perder o contacto com o solo, é uma sensação maravilhosa.
As minhas companheiras de viagem eram duas mulheres do tipo virgens de 50 anos, dá para imaginar o tipo?, eu posso nem ser um gajo fixe, mas também acho que não merecia tamanho castigo .
O avião levava muitos imigrantes, iam carregados de coisas.
Quando levava uma hora e 50 minutos de voo, cheguei a Paris, nesta altura do campeonato estava longe de imaginar o que seriam as horas que se seguiriam.
Quando eu marquei a viagem , paguei a passagem aérea, o hotel e o transfere do aeroporto para o hotel e do hotel para o aeroporto, mas nunca ficou nada marcado com a agência que me encontraria com eles no aeroporto ainda no Porto. Como tal quando cheguei ao aeroporto do Porto fiz o Check In e quando pude embarcar , embarquei, nunca imaginei que aquela hora já andavam á minha procura, tudo porque iam mais alguns gajos e a agência pretendia que fossemos todos juntos, o que facilitaria o trabalho á chegada a Paris. Quando cheguei a Paris eram 14h52m, hora local, menos uma em Portugal, começou uma pequena aventura e sofri as consequências de não me ter encontrado com os outros indivíduos que faziam parte do grupo. Mal saí do avião entrei num túnel que ligava o avião á gare. Até aqui tudo bem, o problema surgiu logo de seguida, ou seja, desembarcamos no primeiro piso, as bagagens estavam no r/chão , eu segui o caminho, quando lá cheguei era uma enorme confusão, de tal forma que não vi ninguém com nada relativo á agência. Esperei um pouco, comecei a ficar cheio da espera e decidi voltar ao piso superior, nada vi, voltei para baixo , continuei sem nada ver. Andei entretido com isto mais de uma hora, quando finalmente decidi terminar com tudo aquilo e partir para o hotel. Só que não sabia se estava longe ou perto. Ainda no aeroporto dirigi-me a um posto de turismo que existe por lá, aquilo é mais um posto de ajuda. Fui atendido por uma boa Francesa ou uma Francesa boa, como se queira. Aqui tive que pegar mais cedo no meu francês do que tinha previsto, ela perguntou-me de onde era, ela não falava Português, com tanto emigrante em França e esta Francesa não sabia Português. Começou a falar em espanhol, só que o espanhol que ela falava, não dava para perceber quase nada, então eu pedi para ela falar na sua língua de origem, pelo menos compreendia alguma coisa. Ao fim de várias explicações e com a ajuda de um mapa que ela teve a amabilidade de me oferecer, fiquei a saber que estava bem longe do hotel. Tinha transportes até á porta do hotel, só que tinha que mudar várias vezes de metro, complicou a situação, vai daí decidi ir de táxi. Ela disse que a viagem de táxi nunca ficaria por menos do que duzentos francos, fiz logo as minhas contas, a 30 escudos o franco, dava seis contos , mas tinha de ser assim. Assim foi, com a indicação dela fiquei a saber que não devia apanhar nenhum dos que estavam no primeiro parque , esses eram de luxo, era bem capaz de me ficar pelo dobro do preço.
Apanhei o táxi para Paris, o taxista disse que devia ficar entre 180 a 200 francos.
A viagem durou cerca de 30 minutos, o taxista falava muito devagar para eu compreender, eu já não falava francês á muito tempo , algumas coisas não percebia. Fiquei a saber que o homem tinha uma filha a viver em Lisboa, mas mais não me disse, eu também não estava interessado. Quando finalmente cheguei ao hotel, tive que desembolsar 180 francos, foi uma despesa extra. Mas fiquei a saber que não fui levado no preço.
Durante o percurso fui vendo alguma coisa da cidade, o movimento nas ruas é de loucos. Imenso transito.
Quando entrei no hotel fiquei a saber que os outros já lá tinham estado e saído. Eu acabava de chegar. Fui para o meu quarto. Pouco demorei, foi só o tempo de me instalar e arrumar algumas coisas.
A recepcionista do hotel era de longe bem pior que a do aeroporto, tinha uma cara esquisita, quanto ao corpo nem por isso.
Saí para o meu primeiro passeio pela grande cidade, seria curto, o dia começava a chegar ao fim. Bati a zona do hotel. Passei numa rua paralela á do hotel e nas traseiras do mesmo, é um grande mercado de sexo. Tem vários Sex-Shop´s, bares e vi uma coisa que deixou surpreendido, vi uma carrinha ( julgo que era Fiat Ducato, ou algo parecido) estacionada. Na frente tinha uma mulher aí com uns 40 anos sentada e com as mamas á vista de quem quisesse ver. Por aquilo que me apercebi ela era a “caixa”, na parte de trás entrava uma pessoa de cada vez e com alguns minutos de intervalo… . Não vi o que se passava lá dentro mas dava para imaginar. Até na prostituição estas francesas são loucas. Rua Budapeste é o nome da rua, foi a primeira rua que fiquei a conhecer.
O dia estava no fim, sentia-me cansado, queria dormir.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Paris – Partida


É inevitável , existe sempre um numero um e o momento numero um o momento mais alto destas férias, pelo menos as expectativas apontavam nesse sentido, apesar de apenas no balanço final se poder dizer qual de facto tinha sido o momento mais alto, tinha chegado ao fim, apesar de regressarmos a Cap para dar continuidade ás nossas férias.

Ainda a capital estava a sair do seu sono profundo quando deixamos o hotel para percorrer as escassas centenas de metros até ao majestoso edifício da estação. Durante a estadia em momento algum se viram as ruas com tão pouco movimento, mas a estação no seu interior já fervilhava de agitação.

É enorme aquela estação, existem várias plataformas, um sem número de linhas e o movimento na estação é enorme. Já aquando da nossa chegada foi algo que teve impacto em mim, a dimensão da estação e a quantidade de gente que ali circula, a esta madrugadora hora o movimento não atingia os patamares da nossa chegada, mas rapidamente atingiria ou até superaria pois era sexta feira.

Descemos um piso para tomar o nosso pequeno almoço e podermos iniciar a viagem mais recompostos, no mesmo piso da gare tem um grande restaurante que é belíssimo no seu interior, é um restaurante á imagem de Paris, mas estava fechado a esta hora madrugadora.

Chegou a nossa hora de partida, desta vez não houve a azáfama que houve em Agde, desta vez tivemos tempo suficiente para procurar a carruagem e os nossos lugares, a bagagem também a coloquei em local que era facilmente controlado por nós. As bagagens segundo os vários avisos existentes devem estar identificadas, caso contrário podem ser destruídas. Aproveitamos também para tirar uma ou outra foto para mais tarde recordar.

A viagem decorreu normalmente e sem toda aquela expectativa e ansiedade que se verificou na viagem de sentido inverso.

Chegamos a Agde ainda a manhã não ia a meio, só quando lá chegamos me lembrei e me interroguei sobre como estariam as nossas coisas no parque. Já faltava pouco para esclarecer as dúvidas.