Este é um espaço para descrever as crónicas das viagens que vou fazendo no tempo e no espaço, sempre á procura de descobrir novas gentes, novos costumes, novos mundos,novas sensações , novas emoções. As velas estão içadas. Boas Navegações !
As férias algarvias já tinham terminado, agora tinha este dia para ser dedicado a uma visita à serra da estrela, era a primeiraviagem que o meu pai fazia uma viagem com o grupo.
Saímos de casa pouco passava das 7 horas, como sempre fomos por casa do Adélio e dali seguimos para casa do António Augusto, depois disso o caminho foi o de sempre, apanhamos a auto estrada A1 até à saída para a IP5 próximo de Aveiro. A partir dali e como íamos entrar na IP5 , estrada que também está com tolerância zero, o Fernando tomou mais precaução na estrada, mas nada de anormal se passou.
Saímos na saída para Mangualde e fomos ao Pingo Doce, dantes era um super dos Três Mosqueteiros. Fomos tomar o pequeno almoço, o caminho até ali tinha decorrido como sempre, com o Fernando a contar umas piadas e por vezes com conversas triviais ,mas sempre com o intuito de animar o pessoal.
Depois de Mangualde tomamos a direcção de Gouveia, local onde chegamos pouco depois, ali como tem o museu pensamos que seria boa ideia levar lá o Adélio, assim foi feito. Alguns não entraram, ficaram no exterior, nesse grupo eu estava incluído, já tinha visitado o museu. Terminada a visita, fomos para uma aldeia que se chama Melo, é lá que fica o restaurante "Fonte dos Namorados" era ali que íamos almoçar , tal como tem acontecido nas nossas últimas viagens efectuadas à serra.
A ementa constou do costume, Javali, Moelas na Telha, Chanfana e Vitela, estava tudo muito bom, para acompanhar foi um bom vinho tinto.
Partimos para o alto da serra à procura de neve e consequentemente diversão.
Em Manteigas paramos para encher umas cameras de ar, de forma a poder deslizar com aquilo na neve.
Já tínhamos passado nas Penhas Douradas e de neve nem sinal, suspeitava que a neve já tinha derretido, subimos para a Nave e só bem perto desta é que começamos a ver alguma neve mas coisa pouca, aquilo que víamos não davapara as nossas brincadeiras. Continuamos a subir para a torre, e só dessa forma pudemos começar a ver neve a "sério", o que também começou a aparecer em abundância foi o nevoeiro, isso vinha estragar um pouco os nossos planos.
Próximo da torre estacionamos a carrinha, já na direcção do Sabugueiro e fomos então tentar gastar algumas energias na neve que por ali existia.
Estava muito frio e também um vento bastante forte, o nevoeiro só dava para ver numa extensão de aproximadamente 20 metros nada mais, por tudo isso o meu pai nem da carrinha saiu, ficou lá dentro, sempre era bem mais quente.
O resto do pessoal estava a divertir-se quando chegou uma camioneta cheia de pessoal, era quase tudo raparigas que aparentavam andar pela casa dos 16 , 17 anos, bom começou a ser uma confusão generalizada, e o espaço começou a ser pouco para tanta gente, por isso de vez em quando lá aconteciam choques sem consequências entre algumas pessoas.
Como começou a ser demasiado confuso estar ali e como também começava a anoitecer, colocamos um ponto final nestanossa visita.
Quando iniciamos a viagem para o Sabugueiro, passamos por umas camionetas de pessoal do norte, estavam com todo aquele frio no exterior a comer e a beber , o Fernando quando viu vinho pediu, resultado encheram uma caneca e quase todo o pessoal da carrinha bebeu, eu não bebi porque achei que já tinha bebido a minha conta por hoje.
Descemos até ao Sabugueiro e fomos, ou melhor foram às compras, mais uma vez o meu pai não saiu da carrinha, depois das compras efectuadas foi o regresso a casa , chegada que se efectuou aproximadamente por volta das 21 horas. Agora esperava-me uma semana de trabalho para partir de novo de férias , desta vez ia com o meu pai e com a Ana Maria até S. Miguel nos Açores, aguardava a partida com alguma ansiedade, Até lá tinha que esperar que os dias fossem passando sem nada de anormal acontecer.
Agora sim, tinha mesmo terminado uma semana toda ela fabulosa, pena é não ser sempre assim.
Acordei eram 6 horas. Era muito cedo, deixei-me estar mais um pouco na cama. Ás 6h30m. decidi que era hora de levantar. Tomei banho, arranjei as coisas, e estava pronto a partir.
O Fernando apareceu á hora combinada, 7h15m, parece um relógio suíço. Passamos por casa do Adélio, ele não ia, mas o Fernando foi lá buscar ou entregar alguma coisa. Quando chegamos a casa do António Augusto, já ele estava á nossa espera mais o Rui Brites, faltava o Paulo. Decidimos esperar um pouco por ele, enquanto isso apareceu um mendigo a pedir dinheiro para um café, era um homem novo, muito magro, com uma enorme barba e cheirava mal. O António arranjou 100 escudos, mas o homem não foi logo embora, ficou junto do pessoal, nós não lhe ligávamos nada , então ele passado um pouco decidiu ir até ao café. Continuamos a aguardar que o Paulo chegasse, faltavam cerca de 10 minutos para as 8horas, quando ele chegou com o carro do pai, um Alfa Romeo. Partimos de imediato.
No centro da Maia junto á câmara municipal comprei o Jornal de Noticias e o Jogo, como era sábado era dia de mais um CD.
Já estávamos atrasados, não era um atraso significativo, no entanto era cerca de meia hora.
O transito na auto estrada já tinha um volume considerável, mesmo atendendo que era sábado.
A viagem estava a decorrer normalmente, ás 8h31m, chegámos á estação de serviço de Antuã, era a última antes de sairmos da auto estrada. Só o Paulo é que foi tomar café, mais ninguém abandonou a zona da carrinha. O Paulo demorou um pouco, estava a contribuir e de que maneira para o nosso atraso. Quando regressou, levou um pouco de gozo de Fernando, o que aliás vinha acontecendo desde que partimos. Por aqui apareceu um carro que indicava ir para a neve, trazia em cima do carro uns pares de Skis.
Ia toda a gente na conversa, de tal forma que por momentos ficamos na dúvida se já tínhamospassado no local onde deveríamos sair, mas não ainda não tínhamos passado.
Entramos na IP5, o panorama era completamente diferente do que tínhamos encontrado na nossa última visita, desta vez o dia estava quente. As diferenças começaram a ser bem visíveis. Quanto mais nos íamos interiorizando, mais certezas tínhamos que desta vez íamos poder subir á torre.
Como de costume em todasas viagens o Fernando começou com o vastíssimo reportório de anedotas, muitas já minhas conhecidas, mas isso permite que as viagens sejam sempre animadas.
O caminho que seguíamos era exactamente o mesmo que tínhamos feito na nossa última viagem á serra, desta vez não estávamos preocupados com as correntes para a neve, não paramos em nenhum posto de abastecimento, só paramos no Intermarche de Mangualde. Fomos tomar o pequeno almoço, comprar pão e comprei uma garrafa de espumante Murganheira. Aproveitei também para levantar algum dinheiro, o que eu levava talvez não chegasse.
Partimos, destino Gouveia. Em Mangualde tivemos que fazer um desvio, um pouco complicado para quem não conhece o caminho, não vimos motivo para o desvio, mas como tinha placas indicativas apenas nos limitamos a seguir as precárias indicações.
Ás 10h00m. chegamos a Gouveia, sinal de neve só alguns vestígios nas montanhas e pouca coisa. Era uma diferença abismal, enquanto da outra vez tínhamos apanhado imensa neve pelo caminho, desta vez estava tudo limpo, estávamos em Gouveia e nada de neve.
Estacionamos a carrinha no parque em frente ao mercado, o Fernando ia á frente do grupo a falar e dirigia-se para o mercado, eu e o António até nos interrogamos sobre o que iria o Fernando fazer ali, o Fernando só se apercebeu disso quando já estava dentro do mercado, como nada íamos fazer ali, saímos. Fomos em direcção ao que eu chamo o centro de Gouveia, que é a zona onde fica a câmara municipal. Junto a uma praça de taxis, vimos uma placa que indicava um miradouro, Miradouro do Paixotão, fomos ver, ainda era cedo para o almoço, tínhamos que nos entreter com alguma coisa. Subimos a imensa escadaria, escadaria íngreme e irregular, de tal forma que quando chegamos ao cimo da dita estávamos cansadíssimos e desiludidos com o miradouro. A Vista não é nada de mais, tem é um jardim, mas também isso nada tem de excepcional a não ser umas placas em pedra com alguns versos, alguns deles extremamente belos.
Começamos a descer mas não pelo sítio por onde subimos, escolhemos um local bem mais acessível, é uma zona deveras agradável , várias placas com versos, espalhadas, fotografei todas as que vi, no entanto mais haveria espalhadas que eu não vi. Ao fundo do jardim e no fim da descida tem uma casa que acaba por fazer parte do jardim, que é um museu de arte sacra e também julgo que tem o museu etnográfico de Gouveia. O jardim do museu está bem tratado, nós entramos no jardim mas não estávamos a pensar visitar o museu. O António ia na frente e foi até junto da porta, o guarda do museu convidou o pessoal a entrar, era chato nesta altura do campeonato não entrar, nem que fosse para uma rapidíssima visita. Assim fizemos, mas sem dar grande importância, nem fazíamos perguntas. Como ninguém perguntava nada , o homem tomou a iniciativa e quem respondeu foi o Paulo, o resto do grupo desmarcou-se de imediato. Com o Paulo já cravado, vimos aquilo muito rápido, só vimos a parte da arte sacra, tinha documentos muito interessantes e com um valor histórico incalculável.
Aquilo era coisa para demorar mais tempo do que nós desejávamos, daí que todos se piraram, excluindo o Paulo e o Rui Brites, esses como andavam a acompanhar o homem não tiveram hipótese. Visitas daquele tipo devem ser feitas com calma e tempo, porque tem coisas de muito interesse e convém ouvir o que o homem diz sobre tudo aquilo, porque um pouco da nossa história está ali. Estávamos nós junto á câmara municipal quando nos apareceu o Rui e o Paulo.
Estava a chegar a hora de ir para o restaurante, saímos de Gouveia e fomos para uma aldeia que faz parte do conselho mas que fica um pouco afastada da cidade, Melo de sua graça. O restaurante tem um nome sugestivo, mas não para um grupo como o nosso que era constituído só por homens, chama-se Fonte dos Namorados, no mínimo é um nome curioso.
Era o mesmo local onde comprei um queijo da serra na minha última passagem por estas terras, restaurante pequeno, só com uma meia dúzia de mesas, mas acolhedor, o que julgo ser norma por estes lados. Não foi difícil arranjar mesa visto o restaurante ainda estar vazio, nem meio dia era. Escolhemos uma mesa que dava perfeitamente para os cinco. Estávamos em amena cavaqueira quando entraram dois velhotes no restaurante e ficaram a olhar para a nossa mesa, um deles rapidamenteexplicou o motivo. Segundo ele, aquela era a mesa que eles costumavam ocupar sempre que ali iam, e pelo que ele falou era com alguma frequência. Ficamos a saber que era o padre da aldeia, era uma pessoa simpática e falava de uma forma que cativa as pessoas. Mas tinha que escolher outra mesa, aquela já não dava.
A nossa mesa começou a ser “ocupada”, o empregado ,como entradas, colocou na nossa mesa umas moelas grelhadas na telha, vinham mesmo numa telha, até queimava. Junto com as moelas também tinha chouriço. Estava bom mas não enchia. O vinho branco era muito bom, de tal forma que ainda antes de começar-mos a comer já sentia algumas dores de cabeça, já tinha bebido demasiado vinho para o que tinha comido. Começou a vir aquilo que tínhamos pedido, primeiro vitela, depois chanfana de cabrito e finalmente o javali, fiquei cheio. Tudo isto acompanhado pelo vinho e muito pão. No fim, na hora da sobremesa eu não ia pedir nada mas eles aconselharam-me doce de abóbora, pedi, tentei comer só que achei aquilo demasiado doce, deixei quase tudo. Para terminar veio café para todos, inclusivamente para mim, é raro tomar café. Junto com o café o empregado trouxe para a mesa umas quatro garrafas, com diversas bebidas. Uma garrafa tinha uma escada lá dentro, outra com um lagarto, claro que desta última eu não bebia nada, bebi de uma outra garrafa, nem era mau, só que não dava para abusar. Estavaterminada a hora da refeição, estávamos ansiosos por partir para a neve. Antes de partir ainda fizemos umas partidas de matrecos, no restaurante, não era nada barato, 100$00 cada partida, eu não joguei, como sobrava um, fiquei de fora.
13h38m. partimos para a neve, porque na serra já nós estávamos. Voltamos a passar por Gouveia, mas desta vez nem paramos, foi sempre a andar. Já nos tínhamos apercebido das diferenças em relação á nossa última vez, e cada vez mais tínhamos a certeza que neve só na torre. Chegámos ás Penhas e nada, o que da outra vez era um imenso manto branco, desta vez era completamente diferente, nem um bocadinho para ver, estava tudo limpinho. Começamos a sempre maçadora descida para Manteigas, a viagem demorou muito menos do que a nossa última, dessa vez o piso estava escorregadio, desta estava num estado normal. Quando chegamos a Manteigas, paramos junto a uma bomba de gasolina. Tínhamos levado umas câmaras de ar com o intuito de deslizar na neve, neve que não se tinha mostrado até agora, enchemos umas quatro, juntando o célebre trenó do Fernando, tínhamos material para todos deslizarem, só faltava mesmo a neve. Partimos para o maciço central, começamos a subida, continuava tudo limpinho. Quando chegamos aquela casinha de venda de artigos da serra , já bem próximo da nave, parámos, mas só o Rui é que comprou uma garrafa de água, nada mais se comprou. Continuamos a subida, começávamos a sentir uma certa frustração, não havia neve. Quando chegamos á nave, ficámos desiludidos, eu penso que nunca vi aquela zona daquela forma, não havia nada, subimos em direcção á torre, era a nossa última oportunidade. Um pouco mais acima começou a aparecer um pouco de neve, mas nada significativo, só que quanto mais subíamos , mais neve víamos, mas nunca em níveis iguais ás últimas vezes. Chegados á torre, paramos para aproveitar um pouco a neve, pouca. Tiramos o material da carrinha e o pessoal preparou-se para o “sku”. Todos levavam material mais ou menos adequado para tal “desporto”, uns levavam fatos para a neve, óculos e tudo, eu fui para a neve, com calças de ganga, um boné na cabeça, luvas nas mãos e um blusão de fato de treino. Quase em simultâneo com a nossa chegada, chegou um Polo só com mulheres, e que mulheres, das cinco era difícil escolher uma. Lamentavelmente não ficaram nas nossas proximidades. Começamos com as nossas brincadeiras na neve. Quando se descia era bom o pior era quando tínhamos de subir, aí cansava. Deslizei com as câmaras de ar mas também com um saco plástico. O trenó do Fernando é que não fazia grande sucesso. Talvez por falta de adaptação do pessoal a tão sofisticado veículo. Não é mau de todo, o problema é não ter direcção assistida, o que fazia com que as viagens fossem por vezes curtas. Andamos nisto um bom bocado da tarde, bem junto de nós apareceu um enorme grupo de raparigas , algumas delas interessantes, mas também tinha muitas miúdas. Eram do norte, não sei bem de onde mas a pronuncia não enganava, pelo que falavam gostavam de beber uns copos valentes de vinho. Facultamos as câmaras de ar e o trenó para umas voltinhas, mas não dava para muito, nós também pretendíamos andar, de qualquer forma foi simpático da nossa parte. O dia começou a ficar feio, parecia que ia chover, estava mesmo escuro o céu, inclusivamente por momentos penso que caíram algumas pingas, não sei se de água se de neve. Bati uma foto ao grupo para mais tarde recordar esta nossa visita á neve. Pouco mais tínhamos para fazer por aqui, estava a chegar a hora de partir, regressar a casa. Regressamos á carrinha, era hora de mudar de roupa e calça-do, eu só mudei de sapatos, o resto tinha que aguentar. Tinha comprado uma garrafa de espumante em Mangualde, estava a desgraçada esquecida na carrinha, quente. Ainda a enterrei um pouco na neve, só que não foi o tempo suficiente, mas íamos beber. Estava tudo mais seco, quando decidimos partir, era a debandada geral da serra, o dia estava a terminar, eram 17h38m., talvez me estivesse a despedir da neve por este ano. O caminho escolhido para regressar foi o que nos levaria ao Sabugueiro, a aldeia mais alta de Portugal. Ainda andávamos nós pelas altas montanhas, paramos. Estava muito frio, decidimos comer um bolo que tinham comprado também em Mangualde e beber a garrafinha de espumante, já estava mais fresca mas continuava muito quente para o desejável. Comemos quase tudo e bebemos tudo, agora estava terminada a nossa visita por estas alturas. Começamos a descida para o Sabugueiro, paramos para eu comprar um queijo da serra, é um costume apesar de eu detestar queijo, trago para o pessoal de casa. Comprei o queijo e uma pantufas quentinhas para a minha mãe, nunca sei o número, mas penso que iriam servir. Gastei quase cinco contos, tinha ficado liso. Nada mais podia comprar. Toda a gente comprou alguma coisa, o Paulo gostava era de comprar um cão serra da estrela, não comprou porque pediam 30 contos por um pequenino. Partimos em direcção a Seia, a noite começou a cair. Bem antes de chegarmos a Seia apanhamos uma camioneta que era da Póvoa de Lanhoso, havia quem opinasse tratar-se da camioneta das raparigas que estivem connosco na serra, não sei. Sei é que o motorista da camioneta carregava bem no pedal, andava bem. Chegados a Seia escolhemos caminhos diferentes, eles foram por Viseu , nós por indicação minha viramos para Mangualde. Aqui começou a habitual discussão de qual dos caminhos seria mais curto, de nada adiantava tínhamos tomado outro rumo. Paramos num café para tomar café. O Paulo tentou telefonar para casa mas esqueceu-se do número, parece anedota mas é verdade. O Fernando queria uma chávena para a colecção particular, o empregado não concordou, daí que o Fernando não incrementou a colecção. Chegados á IP5, foi sempre a abrir, mas com moderação, nunca em nenhuma ocasião excedemos os limites de velocidade. Iríamos ter que parar, desta vez era para abastecer o depósito da carrinha, foi o que fizemos num posto de abastecimento na IP5. Nada mais fizemos ali, partimos . Um pouco mais á frente voltamos a encontrar a camioneta que tínhamos seguido durante um bocado e que deixamos próximo de Seia. Mas não a voltamos a ver mais, ficou para trás. Chegamos a casa do António Augusto e ficou quase toda a gente, despedidas feitas, eu e o Fernando fomos á casa que o Artur anda a construir, estava ele e o Alvarinho, demoramos pouco, fomos levar o Alvarinho a casa. De seguida fui eu para casa, eram 22h. quando cheguei a casa. Como era o dia de aniversário da Fátima, achei por bem telefonar a dar-lhe os meus parabéns pessoalmente, já lhe tinha escrito um postal. Ficou combinado virem-me buscar a casa, para ir até casa do Firmino, eu estava cansado mas aceitei. Fui ao quarto ter com a minha mãe, e aí fiquei a saber que durante a tarde a Fátima tinha telefonado para minha casa a convidar-me para jantar. Como eu andava longe a essa hora. Enquanto esperava que me viessem buscar a casa, fui vendo um pouco do jogo Guimarães / Chaves. Algum tempo depois chegou o Alberto no carro do Firmino, vinha ele e o Nuno. Rapidamente chegamos a casa do Firmino, estava lá o pessoal do costume, o João e a mulher, a Luísa o Luís, O Zé, a Margarida a Ana, A Cristina a Francisca e o João, juntamente com os residentes habituais da casa. Estavam todos na sala a ver umas filmagens que o Firmino fez nas férias. Estavam numa parte em que estava um grupo em casa do tio da Fátima a contarem umas anedotas. Passou-se bastante tempo com aquilo, depois ainda se esteve a ver o filme do Firmino sobre a viagem a Manzaneda. Terminado o filme começou a debandada geral. Já passava da 1hora quando eu cheguei a casa. Terminava um dia bom mas cansativo.
4 de Janeiro de 1997. Dia da minha primeira viagem deste ano. Tinha ficado combinado, o Fernando passar por minha casa por volta das 7 menos 20 da manhã.Quando faltavam 15 minutos para as 7h. o meu pai veio acordar-me, dizendo que estavam a chamar por mim na rua, estava atrasadíssimo. Como no dia anterior tive o aniversário do Miguel, deitei-me relativamente tarde, depois marquei no despertador as 6 horas, tinha muito tempo, só que me esqueci de activar o despertador.
Tomei um banho muito rápido, quase que foi só molhar o corpo, pelo menos tinha tudo arranjado, rapidamente saí de casa, mas sem antes o meu pai me aconselhar a ter juízo e muito cuidado.
Quando chegamos a casa do Zé em Gueifães, já lá estavam todos. Partimos logo de seguida.
Ainda era noite quando partimos, ao passar na ponte de Arrábida ainda deu para admirar uma vez mais o rio Douro e parte da cidade do Porto.
Abandonamos a auto estrada na saída para Aveiro, entramos na IP5, é uma estrada que eu não gosto e é perigosa.
Já levávamos alguns km. na IP5 quando começamos a avistar neve, mas antes disso vimos tudo coberto com geada, a estrada estava perigosa, nalgumas zonas o piso estava muito escorregadio, mas com cuidado passamos. Junto á saída para Sever do Vouga, estava tudo branco, já tinha muita neve por aqui. Do lado esquerdo da estrada avistávamos umas montanhas ao longe completamente brancas, não sei que zona seria aquela.
Antes de chegar a Viseu vi uma raposa morta na berma da estrada, estava intacta, provavelmente foi atropelada por algum carro. Não muito longe dali estava um cão, este devia estar ali á já algum tempo visto que estava congelado.
Já bem perto deViseu paramos num posto de abastecimento, procuramos correntes para a neve, nãohavia nada, continuamos a viagem.
Bem próximo das 9horas, saímos da IP5, saída para Mangualde. Logo após a saída tem um hipermercado, o Intermarché, fomos até lá para comprar pão e procurar correntes para a neve. Correntes para a neve não havia, compramos pão e uma garrafa de espumante Italiano.
Continuamos o caminho que nos levaria até á Serra.
Durante o caminho fomos comendo pão com bolinhos de bacalhau feitos pela mulher do António, para acompanhar foi o espumante. Em Mangualde voltamos a parar, fui a uma casa de ferragens, claro que ia procurar correntes para a neve, como anteriormente não tinha nem a rapariga que me atendeu tão pouco me sabia dizer onde podia encontrar.
Estalou uma pequena discussão quanto ao caminho que deveríamos seguir, o Fernando tinha planeado ir até Gouveia, o Adélio propunha outro caminho, felizmente venceu o Fernando, é que eu também queria passar por Gouveia. Durante o percurso que liga Mangualde a Gouveia, ao passar junto ás aldeias, quando o Fernando se cruzava com algum transeunte, buzinava e acenava com o braço, a grande maioria também acenava, estava a ser animada a viagem, decidimos também fazer uma pescaria conjunta quando abrir a época.
Chegamos a Gouveia ainda o ponteiro do relógio não tinha chegado ás 10horas. Fomos até ao centro, paramos junto ao edifício dos bombeiros, o António foi perguntar a um bombeiro onde se poderiam comprar as desejadas correntes para a neve, o bombeiro indicou uma casa de acessórios de automóveis bem próximo dali. Fomos até ao local indicado, na montra tinha um pneu com correntes, pensamos que desta vez resolvíamos o caso, puro engano. Após uma breve espera porque tinha outra pessoa a ser atendida, o homem disse o que não queríamos ouvir, as correntes que ele tinha não serviam para a carrinha , aquelas eram “R13” e para a carrinha tinha de ser “R14”. Segundo o que ele disse se tivesse “R14” na véspera tinha vendido imenso. O preço também era mais elevado em relação ao Porto, por aqui elas custam 12.000$00, lá 13.000$00 , sempre são mais mil escudos. Demos mais uma voltinha por Gouveia a tentar mais locais. O Adélio entrou num café a perguntar, primeiro indicaram a casa onde tínhamos estado, depois indicaram outra casa que não encontramos. Decidimos partir para a aventura sem correntes, iríamos até onde fosse possível, apesar do cenário não ser nada agradável, a maioria das estradas estavam cortadas. Entretanto fui tirando algumas fotos.
Já eram 10horas quando partimos em direcção a Folgosinho, apesar de ser cedo. Passamos por uma aldeia de seu nome Nabais, andavam a apanhar a azeitona. Um pouco á frente tem o desvio para Folgosinho, a placa indicava 6 Km até lá. A estrada passa pelo meio de um pinhal que tinha imensas árvores partidas, ao que parece cederam ao peso da neve. Paramos junto a um pequeno riacho , água limpinha a que por ali corria. Segundo uma senhora de idade em tempos houve por ali trutas, mas acabou tudo. É impressionante como vive ali aquela gente, uma casa muito pequena , construída em pedra, com o frio que fazia devia ser terrível viver ali. De verão deve ser agradável mas de inverno … .
Chegamos a Folgosinho quando o ponteiro do relógio tinha acabado de passar pelas 11horas. A aldeia é muito pequenamas engraçada. Os telhados estavam brancos , cheios de neve, muita dela já estava aderreter, estava sol naquela altura. Existe por lá uma casa que tem na parede exterior uns painéis em azulejo com algumas quadras, são cerca de 8 painéis, fotografei todos, um a um. Existe também uma fonte, que de um dos lados tem uma placa em azulejo que diz “ Água e mulher só se for boa”.
O restaurante Adriano, que julgo ser o único na aldeia, fica no largo do Viriato, ainda fizemos uma pequena espera para almoçar. Um pouco antes do meio dia fomos para o restaurante, tínhamos mesa marcada. Tem pelo menos 3 salas, ficamos na mais pequena mas acolhedora. Enquanto esperávamos fomos dar uma espreitadela ás outras salas e aproveitei para tirar mais uma foto ao grupo.
Este restaurante tem a particularidade de se poder comer de todos os pratos, beber , sobremesa e café por 1.600$00. Nós pedimos de tudo excepto cabidela de coelho.
Primeiro veio o pão e chouriça assada, não gostei muito da chouriça, de seguida veio leitão e batatas fritas, estava bom o molho é que era demasiado picante, obrigava a beber mais. O vinho era um maduro branco bem bom. Após o leitão veio para a mesa algo que eu nunca tinha comido, javali, não comi muito , não porque não fosse bom, mas porque era servido com feijão. Ainda havia muito para comer e como o feijão “enche” muito, não comi. Veio mais javali mas desta vez com batata frita, já comi um bocado, vitela assada, também comi um pouco e por fim veio o cabrito, o qual comi um pouco. Estava tudo muito bom, acabei por comer muito , de tal forma que já não comi sobremesa. Para terminar fomos todos num café, no meu juntaram um pouco de uma bebida qualquer, não sei o que era, bebi.
Passavam 10 minutos das 13horas, quando abandonamos o restaurante, demos uma volta pela aldeia, subimos a uma torre que nos permitiu ver a aldeia e todas aquelas terras circundantes, isto de um lado do outro víamos montanhas brancas, parece que tinham sido cobertas com chantili.
Partimos para o coração da serra, não sabíamosaté onde poderíamos ir, fomos andando. Antes de chegarmos a Gouveia paramos num local que vende queijos da serra, Fonte dos Namorados é como se chama a loja, comprei um queijo com 1,5kg. Paguei 3.000$00. Eram 13h30m. Voltamos a passar em Gouveia, a partir daí foi sempre a subir, poucos km. depois de Gouveia começou a aparecer neve na estrada, dava para andar só que com cuidado, grande parte da neve que existia na estrada estava a derreter, o maior problema residia nos locais onde não dava sol.
Chegamos a um dos locais que eu mais gosto da serra da estrela, as Penhas Douradas, é uma zona arborizada e é o local onde nasce o rio Mondego. Por aqui tinha imensa neve , as árvores estavam carregadas, muitas delas quase partiam tal o peso da neve. A cor predominante era o branco, nunca tinha visto esta zona assim, geralmente vejo imensa neve mas as árvores costumam estar limpinhas, desta vez até as árvores estavam brancas. Tudo era demasiado belo. Paramos algumas vezes, mas nenhuma paragem excedeu um minuto, era só o tempo necessário para ver o estado da neve e porque pretendíamos chegar o mais longe possível. Começou a descida para Manteigas, fica em pleno coração da serra , o cenário continuava belo, não me recordo de ver tanta neve.
Manteigas estava como toda a serra coberta de branco, era um espectáculo. Não paramos em Manteigas, iniciamos a subida para o maciço central, logo nos apercebemos que seria quase impossível chegar lá acima. Fomos até onde a neve permitia, ainda assim passamos por zonas em que o piso estava muito perigoso devido ao gelo que existia na estrada.
Faltavam uns míseros3km. para chegarmos á nave quando tivemos que parar e voltar para trás, era
impossível continuar. Havia muita neve na estrada, sem correntes era impossível transitar com a estrada naquele estado. Voltamos a Manteigas, não paramos, voltamos a subir para as Penhas Douradas, já o ponteiro do relógio caminhava para as 16horas, mais um pouco caía a noite.
Durante o caminho aproveitei para tirar mais fotos.
Chegados ás Penhas Douradas, paramos, era a hora de nos divertirmos um pouco na neve. Com uns plásticos deslizávamos bem na neve, sentados ou deitados nos plásticos, aí íamos nós, passamos por momentos hilariantes com algumas quedas á mistura. Já era noite quando acabou a brincadeira, 17h15m. mais precisamente. A roupa estava molhada e carregada de neve, era hora de mudar de roupa, eu só pude tirar a camisola, o resto também não era preciso, a camisola é que estava cheia de neve.
Estava no fim a nossa visita á serra, era hora de iniciar o regresso a casa.
Partimos para Gouveia, todas aquelas montanhas que tinha visto cobertas de branco não se viam nesta altura, era tudo preto.
Todo este quadro preto estava manchado com pequenos grupos de pintas amarelas, é nestas ocasiões que penso o quanto deve ser difícil viver na serra nesta altura do ano, existem muitas povoações mas distantes umas das outras.
Voltamos a passar em Gouveia já eram 18 horas, paramos á saída da cidade para abastecer o carro, se andasse a água … .
Partimos logo de seguida, não tínhamos mais nenhuma paragem prevista até chegarmos a casa.
O transito na IP5 não era muito mas o que havia complicava um pouco. Alguns não andavam nem deixavam andar quem queria. O piso nalgumas zonas também já começava a ficar um pouco perigoso. O dia esteve bom, derreteu muita neve junto á estrada, mas com o cair da noite e com a baixa da temperatura a água nalguns locais começou a gelar o que tornava o piso extremamente perigoso.
Para colmatar um pouco a “seca” que é viajar durante a noite o Fernando começou a contar algumas anedotas, algumas com piada outras nem por isso, de qualquer forma sempre ajuda a passar o tempo e anima o ambiente.
Cada vez estávamos mais próximos de casa.
Chegamos á auto estrada, pelo menos prevíamos que acabavam os nossos problemas com os que não deixam andar quem quer.
Para termos combustível até chegar a casa não passamos dos 120km hora, o que além de ser o máximo permitido por lei para transitar na auto estrada já dá para andar bem.
O corpo começava a dizer que também precisava de alguma coisa para se entreter, daí que no posto de abastecimento e repouso de Antuãfizemos uma paragem. O Zé é que não queria nada de tal forma que nem saiu do carro, o resto do pessoal foi todo comer qualquer coisa.
Para o meu corpo se calar comi um croissant com fiambre e dois donut´s, a acompanhar uma Pepsi Diet. Após este ligeira e rápida refeição , iniciamos a nossa derradeira etapa.
Ainda na auto estrada e ainda um pouco distantes do Porto, passou por nós um carrinho baixinho e bonitinho, a marca é uma “insignificância” é só Porsche. Ele quando passou por nós o nosso até abanou.
A velocidade a que ele ia era mais que muita, inclusivamente foi tema para uma ligeira discussão entre os ocupantes do nosso humilde veículo. Para alguns o Porsche ia a mais de duzentos para outros não. Claro que cada um ficou na sua, não era possível esclarecer a nossa dúvida com o condutor do dito carro porque na ocasião já nem o avistávamos. A partir desta altura tudo o que alguém dizia os outros para contrair punham em causa a veracidade do que era dito, era só para contrariar, mas animou o resto da viagem.
Ás 20h47m. chegamos á portagem dos Carvalhos, estávamos bem próximo de casa. A partir desta zona aumenta significativamente o volume de tráfego.
Meia hora depois estava em casa, a noite estava fria, ás 21h30m. is dar o jogo entre o F.C. Porto / Guimarães, previa um jogo complicado para as minhas cores.Ao entrar em casa o João Pedro ficou espantado a olhar para mim, eu tinha o chapéu de tirolês. Arrumei as coisas, pouco tinha para arrumar. Estava terminada a minha primeira viagem de 1997, foi de um dia só mas foi bom. Espero pela próxima. Algumas coisas foram decididas durante este passeio, uma a de tirar licença de pesca, a outra é bem mais complicada, é tirar o curso de paraquedismo. Vamos ver se tenho coragem.
Sou um ser humano normal, que tem como objectivo na vida, aproveitar o máximo de cada momento, objectivo nem sempre alcançado.
Viajar é uma paixão, conhecer novas gentes, novos costumes e novas culturas são gostos que vou cultivando ao longo dos tempos e sempre que estejam
reunidas condições necessárias para a realização das mesmas.
As crónicas permitem dar a conhecer um pouco dos locais visitados, mas fundamentalmente descreve o meu momento, algumas vezes as emoções, as
sensações, os desejos.
Servem também para evitar que se vão perdendo com o tempo muitos dos detalhes que caracterizaram as viagens, viagens que podem ser curtas ou longas quer no tempo, quer no espaço. Sou apenas eu !