terça-feira, 28 de julho de 2009

Peregrinação a Fátima - 3ª Etapa


Quarta Feira, 7 de Maio de 2008. Albergaria -> Mealhada

Mais minuto. menos minuto, ás 2 horas estavamos a pé, um bom banho para despertar e fomos ao pequeno almoço. O pessoal ia chegando aos poucos, alguns ainda muito ensonados, mas a etapa parecia ser pequena, pelo menos eu estava convencido disso, apesar de no nosso guião os kilometros rondarem os mesmos numeros dos dias anteriores. Após o pequeno almoço fui ao quarto buscar os sacos, estava pronto para partir, a camioneta também já lá estava para nos levar ao exacto local onde nos tinha apanhado na véspera. Até a camioneta e o motorista eram os mesmos. Naquele compasso de espera, estavamos a caminhar para as 3 horas, chegou ali um grupo de 3 peregrinos, 1 mulher e dois homens, o cansaço estava bem estampado nas suas faces, iam ali pernoitar.

Partimos para Albergaria, o trajecto que na véspera foi rapidissimo, desta vez estava a demorar imenso, comecei a ter a real noção da longa caminhada que teriamos pela frente. Durante a viagem foi efectuado um peditório para agradecer o gesto do motorista, ao que parece estava ali por carolice, rendeu 60 euros.

Chegados ao local da partida, rapidamente demos inicio á caminhada, sempre na berma da estrada.

Um bocado á frente desviamos para passarmos no centro de Águeda, chegamos lá estava o dia a substituir a noite e com uma ou outra paragem para libertação de liquidos.

No centro de Águeda, no local onde paramos, estava uma certa concentração de pessoal,e não apenas do nosso grupo, começavamos e encontrar mais peregrinos. Devido a isso eu nem entrei no café, comi uma maçã e uma barra de cereais que levava, era o meu pequeno almoço. Logo que a Cristina se despachou, arrancamos, já o Miranda ia longe com um pequeno grupo , nós também partimos. logo após a

passagem do rio, vimos um acampamento de apoio a peregrinos, parecia ser da cruz vermelha, mas fiquei na duvida. Desta vez não tinha apenas a companhia da Cristina, mais duas mulheres se tinham juntado a nós na hora da partida e o Luís, elas não tinham o nosso ritmo e isso emperrou bastante o nosso andamento, mas nada podíamos fazer.

O movimento de peregrinos começava a ser visivel na berma da estrada, o apoio também se ia vendo pontualmente. O tempo passava e não se vislumbrava o final da etapa, nem tão pouco uma placa indicativa com a distância para a Mealhada. Comecei a sentir-me cansado, fomos apanhando algumas das pessoas que partiram á nossa frente, estavam exaustas, e eu também começava a dar sinais disso. Estava

a ser uma etapa extremamente desgastante, e eu que previa facilidades... como me tinha enganado, estava a ser o oposto.

Sentia e sabia que estava a poucos quilometros da Mealhada, mas naquela fase um insignificante quilometro já demora uma eternidade a percorrer.

O meu maior receio nesta caminhada prendia-se com a capacidade de resposta que os meus joelhos, principalmente o esquerdo, dariam a tamanho desgaste, temia que não viesse a aguentar , mas nas duas primeiras etapas estava tudo muito bem, mas nesta o joelho direito começou a doer, uma dor que incomodava bastante de tal modo que a partir de um momento e por virmos sempre a controlar quem vinha connosco para não deixarmos ninguém para trás, eu disse á Cristina que se eu parasse, já não arrancava, nem rodopiar o corpo sobre os joelhos podia pois a dor não deixava. Desse modo abrandei a velocidade da caminhada de modo a não deixar a Cristina sozinha e segui sempre ohando para a frente. A sede também foi muita, "salvou-me" um carro particular , um volvo preto, com duas mulheres e uma criança de colo, elas andavam a distribuir água e sumos compal pelos peregrinos de forma gratuita, é de louvar a atitude destas pessoas, já não direi o

mesmo pelo facto de terem ali uma criança que era bébé, o tempo estava quente para andar ali com a criança, de qualquer modo o compal que me ofereceram foi o que me safou para o resto da etapa, o nosso carro de apoio não se via há muito tempo.

A ansiedade para chegar já me dominava completamente, e nunca mais via a entrada do complexo. Finalmente chegamos ao complexo, a ligiera subida para a recepção com escadas foi o que acabou com parcas energias que ainda possuia, senti-me preso por arames, acho que não aguentava muito mais, estava exausto e doía imenso o joelho direito. De qualquer modo terminamos a etapa bem mais cedo que as anteriores, creio que por volta das 11 horas. Era sem dúvida a pior etapa até ao momento, psicologicamente não me tinha preparado para tamanho desgaste. Certamente que a culpa não foi delas, mas o vir com mais gente, com um ritmo incerto prejudicou imenso a caminhada, a Cristina tem um ritmo certinho, anda-se bem com ela.

Desta vez não fui logo para o banho, deitei-me na cama a descansar e só ao fim de algum tempo é que tive forças para ir ao banho, sentia o meu joelho direito muito preso, tive dificuldade em entrar na banheira. Com o banho tomado retomei o ritual do costume, massagens e descansar mais um pouco a fazer horas para o almoço.

O almoço foi mais uma vez no restaurante do complexo, desta vez fui para Arroz á Valenciana, gostava da confecção da comida ali, para beber fui na cerveja, mas teve que ser Sagres , não tinha Super Bock.

Terminamos o almoço perto das 2 da tarde e muitos peregrinos ainda não tinham chegado, eu voltei para o quarto , fui dormir, enquanto o dia no exterior

convidava a explorar a região.

Ao final da tarde o Luís foi para o terço, eu fiquei esticado na cama a tentar dar o máximo de descanso ao joelho, pouco depois vieram ao quarto chamar-me , iam fazer-me uma massagem e colocar um joelho elástico. Enquanto me faziam a massagem estava o pessoal naquele largo a rezar, o dia estava fantástico, por isso estavam todos no exterior.

Pouco depois estavamos na hora do jantar, o David e a Katia vieram de novo ter com a Cristina, estavam todos esperançados no leitão, mas não havia. Fiquei a saber que os restaurantes de leitão fecham á 4ª feira, bem fiz eu em comer na véspera. Eu fui para um misto de carne grelhada, comi bem, pouco depois voltei para o quarto, não sabia como ia aguentar a etapa seguinte, isso deixava-me um pouco preocupado, esta etapa foi terminada em grande sacrificio, como seria a seguinte !? essa era a grande dúvida. Em termos de passos os numeros revelavam uma etapa bem mais curta, marcava 24567 passos, era o oposto com o cansaço sentido, esse era enorme.


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Peregrinação a Fátima - 2ª Etapa


Terça Feira, 6 de Maio de 2008. S. João da Madeira -> Albergaria

O despertador acordou-me por volta das 2 horas, no quarto era uma sinfonia de roncos, toda a gente ressonava e eu certamente enquanto dormia também tinha ajudado á festa. Tomei um banho e saí do quarto com as tralhas todas. Desci para tomar o pequeno almoço. Pouco depois apareceu o Luís, ainda faltavam os dois veteranos. Aos poucos o pessoal foi-se cruzando na pequena sala onde se tomava o pequeno almoço. Eu pouco comi, foi um pequeno almoço normal para mim. Desci para a saída onde o pessoal se ia juntando. A partida estava marcada para as 3 horas. Era uma boa hora para começar a andar e a noite estava agradavel.

As dores do corpo quase que por magia ou obra divina tinham desaparecido, estava pronto para mais uma etapa que desta vez iria terminar em Albergaria, mas iria dormir á Mealhada, local onde terminaria a 3ª etapa, no complexo Três Pinheiros.

Fomos percorrendo algumas das artérias de S. João da Madeira que nos levariam até á nacional 1.

Como pelos vistos é norma nesta peregrinação, além do grupo ir compacto durante a noite, também se vai rezando um sem número de "Avé Maria". Eu que não rezo, de tanto ouvir cheguei a um ponto que já sabia a ladaínha de cor e salteado. Para

que a reza seja ouvida por todo o grupo usa-se um megafone que ao que parece é um pouco pesado, de tal modo que o pessoal se ia revesando para levar o aparelho. A voz quase sempre era a de uma mulher que deveria ser das mais velhas do grupo, a D.Tininha, assim era conhecida e que mais tarde vim a saber ser tia de uma minha ex. professora de biologia no 12º ano.

Para ela dar alguns momentos de descanso á voz, havia um ou outro elemento do grupo que cantava alguma música de cariz católico.

Tais acontecimentos processavam-se durante a madrugada inicio da manhã, eu sinceramente acho que aquilo deveria ou poderia incomodar quem estava a dormir, em variadissimos momentos passavamos em areas residenciais, então quando um elemento conhecido no grupo pelo "Chico" cantava ... , o tom de voz dele era muito forte.

Confesso que com o aparecimento do dia e consequentemente o fim das rezas me sentia mais "aliviado" pois acabava o barulho e não se incomodava ninguém que estivesse a dormir.

A primeira fase desta etapa terminou junto ao acesso á nacional 1. Desta vez ou nós andamos pouco ou o dia nasceu bem mais cedo, achava eu.

Logo no "arranque" para a segunda fase da etapa o grupo ficou todo partido em pequenos grupos, devido á longa e ingreme subida.

Na frente ia o Engº Miranda como sempre,eu até achava que ele via aquilo como uma espécie de competição, não gostava de ver ninguém á sua frente, logo na rectaguarda seguia o enfermeiro e depois o restante pessoal, eu e a Cristina iamos bem próximos dos lideres do grupo, mas nunca chegamos a ser primeiros, nem passavam por aí os nossos objectivos. Logo atrás de nós vinham duas mulheres, uma delas era baixinha e devia ter uma idade respeitavel, a outra que de aspecto deveria ser bem mais nova, levava uma pequena mochila que tinha no seu interior uma pequena imagem de Nossa Senhora de Fátima, era uma outra particularidade desta peregrinação, a imagem de Nossa Senhora, mas não ficavamos por aqui, também era transportada por alguém do grupo uma pequena cruz em madeira,

durante a noite a cruz ia sempre na cabeça de pelotão, depois ia com quem a quisesse levar.

A caminhada passou a ser a quatro, eu a Cristina e as outras duas, fomos palmilhando a estrada, passo a passo fomos encurtando a distância.

Numa ou noutra recta ainda nos era permitido avistar algum elemento do nosso grupo que estava mais adiantado. No cruzamento superior com a IP5 a Nelly mais uma vez me ligou a saber como estava a decorrer a etapa, ligou numa fase em que na estrada decorriam obras e com o barulho da maquinaria por vezes era um pouco complicado entender o que ela dizia. Quanto a telefonemas a Nelly e o Fernando ligavam todos os dias logo nas primeiras horas da manhã.

Estava um dia quente, bem quente, o movimento de peregrinos era nulo no que a outros grupos dizia respeito, estava á espera de ver muito mais gente na estrada. Nós continuavamos a andar para terminar mais uma etapa, etapa que até estava a correr muito bem, de tal modo que bem perto do meio dia a concluimos junto ao café "Pagas Tu", é um café que fica numa zona em que a estrada desce um

pouco. já lá estavam a meia dúzia de elementos que sairam á nossa frente, mas a nossa etapa tinha sido muito boa, eu sentia-me bem, embora um bocado cansado, deitei-me a descansar um pouco no chão e assim me mantive um pouco. Quando me tentei levantar senti-me subitamente muito tonto e fraco, voltei-me a deitar, enquanto isso, misturei um pacote de açucar no que restava na minha garrafa

de água, bebi. Quando me levantei ainda me sentia tonto e fraco, mas muito melhor que momentos antes. Com calma fui-me levantando e entrei no café, pedi um donut que verifiquei ao comer que já tinha sido fresco se calhar na semana anterior e bebi uma coca cola , achava eu que tinha sido uma quebra de açucar o que me tinha provocado aquilo. Enquanto eu estava no café, entraram duas peregrinas, que não pertenciam ao nosso grupo e pediram uma bebida que o homem não tinha, de uma forma muito baixa disseram que aquilo não tinha nada, o homem de uma forma simples, demonstrando humildade disse que não tinha pois não tinha saída, e ficou tudo por ali, mas a atitude das mulheres irritou-me. Depois de comer e beber voltei para o exterior e sentei-me no chão a descansar enquanto o restante pessoal ia chegando a conta gotas, no entanto chegaram todos bem mais depressa do que eu esperava. Como sempre a fechar o pelotão vinha a Rosa.

Enquanto o pessoal ia chegando , chegou também uma camioneta de passageiros , tinha uma placa que dizia "Atalaia", rapidamente me apercebi que era para nós, seria o nosso meio de transporte até aos Três Pinheiros na Mealhada.

Enquanto estava deitado vi a uns escasso dois metros de mim e por cima de umas coisas num canto, uma pele de uma cobra, até me arrepiei, ela tinha seguramente 1 metro de comprimento, fiquei alerta, mas por pouco tempo, pois com o pessoal todo ali, partimos para o nosso repouso.

Sempre tive curiosidade em conhecer o complexo dos Três Pinheiros, mas nunca tal se tinha proporcionado, desta vez ia lá passar não uma, mas sim duas noites, é que a etapa do dia seguinte terminaria ali.

Do café até aos Três Pinheiros a viagem foi rapidissima, de tal modo que achamos a etapa seguinte extremamente facil e rápida. Nos Três Pinheiros á chegada foi feita a distribuição dos quartos, eu fiquei num quarto com o Luís. Tomei banho e cumpri o que se tornaria um ritual após o banho, massajar pés e pernas com os cremes, depois ficava deitado na cama com as pernas levantadas encostadas na parede, mantinha-me assim até ir almoçar.

Almoço que foi no agradavel restaurante do complexo que se encontrava cheio, além dos peregrinos, estava lá uma grande comitiva de turistas, não sei porquê, mas fiquei com a sensação de serem russos, se eram ou não, não sei, sei é que tinha essa sensação.

Para o almoço deles veio leitão, vinha um leitão inteiro numa grande travessa, quando tal petisco deu entrada na sala, foi uma festa, todos os turistas queriam tirar uma foto junto daquele exemplar que seria de seguida devorado, eu comi feveras grelhadas, mas o leitão deu-me ideia do que seria o meu jantar, depois do almoço e apesar do ambiente ser de festa eu fui dormir, dormi até há hora do jantar.

Acordei na horinha para ir jantar, os intervalos da caminhada eram literalmente preenchidos a comer e a dormir nada mais se fazia.

Os turistas tinham abalado, a sala do restaurante era só para nós, também era cedo, ainda não eram 20 horas. Sentamo-nos numa mesa grande e redonda, além de eu, a Cristina e o Luís, tivemos mais três companhias femininas, uma delas estava a cumprir uma promessa e ia apenas a pão e água, não é fácil. Eu cumpri o prometido, atirei-me ao Leitão, o Luís também, o resto do pessoal, adiou o jantar, sairam para voltar após o terço, são opções, eu não o faria como não o fiz, quando elas voltaram já nós tinhamos jantado e eu recolhido ao

quarto a ver um pouco de televisão, para adormecer de seguida. O contador dos passos tinha parado nos 30555, era muito passo dado.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Peregrinação a Fátima - 1ª Etapa


Segunda feira, 5 de Maio de 2008. Valadares -> S. João da Madeira

O dia ainda mal tinha começado , estava eu a sair de casa para ir até Valadares, era o incio de uma longa semana. Seria o começar a “ pagar uma divida” que já tinha vários anos.

Cheguei ao local da concentração ainda não eram 2 horas da madrugada, levei o meu carro até lá e o meu pai que foi comigo trouxe o carro para casa.

O movimento era nulo, no entanto já lá estavam 2 carros com pessoal que depois verifiquei fazerem parte da peregrinação. Aos poucos o pessoal foi chegando , inclusivamente o Mesquita com a Cristina.

O pessoal concentrou-se todo, curiosamente o único atraso foi da lider, a Rosa.Entramos para o salão paroquial, era hora de fazer a chamada, dar os derradeiros conselhos e uma ou outra dica sobre como seria realizada a caminhada.

Distribuíram uns coletes reflectores, era obrigatório circular com eles vestidos, e durante a noite seriam de grande utilidade, já que a caminhada se realiza sempre na berma das estradas. Carregamos os sacos nas carrinhas de apoio, haviam duas carrinhas, ao que parece era uma inovação este ano, em anos anteriores as condições não eram tão boas.

Eu levava uma mochila carregada principalmente com roupa, seguia na carrinha, comigo ia uma pequena mochila que levava barras de cereais, alguns pensos, ligaduras, chiclets , levava também o pequeno saco com a máquina fotográfica.

No exterior o pessoal fez uma fila, formou dois a dois , estava na hora de iniciar tão longa caminhada que teria o seu términos no domingo seguinte no santuário de Fátima. O entusiasmo nos presentes era enorme, faltava saber como o pessoal iria reagir a todas e quaisquer adversidades que surgissem ao longo do caminho. Eu pelo menos pensava muito nisso, era a minha estreia,mas não o único, a esmagadora maioria dos peregrinos presentes são "veteranos" nas caminhadas eu e mais uns 3 a 4 casos éramos novatos.

No dia 25 de Abril, realizou-se uma reunião entre a organização liderada pela Rosa e a maioria dos peregrinos, além do pagamento do alojamento foram dados conselhos que se viriam a revelar de grande utilidade para a caminhada.

Iniciou-se a caminhada, o pessoal parecia que queira chegar no mesmo dia a Fátima tal o ritmo imposto e com a agravante dos km iniciais serem feitos com a estrada a subir, embora a subida não fosse muito acentuada, sempre subia.

Andava por zonas totalmente desconhecidas para mim e já me estava a sentir cansado com o ritmo imposto pelo pessoal, felizmente realizamos uma pequena paragem numas bombas de gasolina. A Bomba ainda estava fechada, mas o pessoal acampou por ali para comer qualquer coisa e alguns para libertar a bexiga do aperto que sentiam. Não foi o meu caso, eu estava bem por agora. Comi uma maçã. A organização fornecia fruta e água durante a caminhada.

Continuamos o nosso caminho, a primeira etapa iria terminar em S.João da Madeira no hotel "AS", mas durante o caminho eu nem pensava nisso, afinal a caminhada ainda tinha poucos passos dados. O grupo seguia compacto e ordenadamente sempre na berma da estrada, era uma regra de ouro, durante a noite o grupo seguia compacto e sempre em grupo de 2 a 2 ou em casos extremos em fila indiana, mas nestes casos que seriam raros, era devido á estrada em que se seguia.

Perto dos Carvalhos,na estrada que passa por cima da auto estrada, fizemos mais uma paragem, era uma paragem apenas para o pessoal urinar. Aqui, o Luís, que é primo da Cristina perdeu a lanterna dele, mas rapidamente se encontrou a mesma. A lanterna é uma peça também de grande utilidade para a caminhada nocturna. Foi distribuído um pão a cada membro da caminhada e alguns rebuçados para fornecer calorias.

Ao passar nos Carvalhos cruzamo-nos com um outro grupo de peregrinos, não tão grande como o nosso, o nosso andava na ordem dos 50 a 60 elementos. Mas rapidamente perdemos o outro grupo de vista, seguíamos caminhos diferentes. Nós nos Carvalhos andamos por ruas interiores enquanto o outro grupo seguia pela nacional 1, nacional 1 onde iríamos sair mais á frente e de novo, nova paragem para mais uma vez o pessoal urinar. Não fossem essas paragens e certamente o ritmo da caminhada seria outro.

A escuridão da noite tinha dado lugar a um soalheiro dia, adivinhava-se um dia quente. A paragem seguinte foi efectuada num café na zona de Grijó, o pessoal decidiu parar para tomar o pequeno almoço. O local escolhido não era o que estava previsto, mas esse encontrava-se fechado para descanso do pessoal, arranjou-se uma alternativa. Eu aproveitei para ir ao Wc, tinha chegado a minha vez.

A paragem para o pequeno almoço termina uma fase da caminhada e inicia uma outra, a primeira é efectuada com o grupo compacto a segunda é livre, cada um vai ao ritmo que quer ou que pode. Eu segui com a Cristina fomos os dois juntos na segunda parte do percurso, não éramos os primeiros, á nossa frente seguiam umas 5 pessoas que rapidamente deixamos de avistar.

A Cristina precisa de parar frequentemente para urinar, achava curioso como ela ingere tão poucos líquidos e urina com muita frequência.

O único problema que eu via nessas paragens era a quebra notória no ritmo e com o acumular da fadiga muscular, o retomar da caminhada custava um pouco.

O movimento de peregrinos embora não fosse muito, pelo menos para o que eu esperava, já se fazia sentir ao longa da estrada, alguns notava-se que iam em grupos organizados, outros pareciam ir isoladamente.

Ao longo do percurso as carrinhas de apoio iam acompanhando o pessoal, forneciam fruta e água á vontade do peregrino e também guardavam o que o peregrino quisesse , o normal era uma ou outra peça de roupa que começava a atrapalhar.

Entre as 11 e o meio dia estávamos nós a dar por terminada a nossa primeira etapa. A fadiga muscular era muita, ansiava por um bom banho e descansar, fome não sentia.

Na frente do hotel sentados num banco estava o pequeno grupo que partiu á nossa frente, após a nossa partida do café ninguém nos ultrapassou, mas isso não era importante, aquilo não era competição, era peregrinação, no entanto quanto mais cedo chegássemos maior era o tempo de recuperação para a etapa seguinte.

Chegou uma carrinha de apoio, a que tinha os nossos sacos, depois disso tivemos luz verde para recolher aos quartos. Eu fiquei a saber que ia ficar num quarto com mais 3 homens, um deles o primo da Cristina. Como fui o primeiro a recolher ao quarto, tive oportunidade de escolher a melhor cama. A entrada no quarto era feita com cartão magnético.

Depois do banho deu para descansar um pouco, principalmente deitados com as pernas levantadas e saímos para almoçar num snack ao lado do hotel, a comida foi umas pequenas fatias de lombo assado, pouca coisa. Regressamos ao quarto agora para dormir.

Eu tinha duvidas se iria dormir aquela hora, mas depressa constatei que dormi e bem. De tal modo que o Luís chamou-me para irmos jantar, ainda não eram 19 horas.

Ganhei um outro andar, o corpo doía todo, uma perna para avançar, pedia licença á outra. Como eu estava ! Mas não era o único, os veteranos também estavam assim. A minha preparação para esta caminhada consistiu em 2 ou 3 sábados fazer umas caminhadas na areia da Torreira a S.Jacinto,e durante sensivelmente uma semana fazer o percurso de casa -> trabalho -> casa a pé. Certamente ajudou, mas talvez fosse bom ter caminhado mais.

Para jantar fui com a Cristina e o Luís, a nós juntaram-se o David e a Kátia que iam visitar a Cristina, do grupo também se juntaram o enfermeiro, cujo nome não sei, toda a gente o tratava por enfermeiro e o senhor Joaquim, devia ser das pessoas mais velhas do grupo.

Eu comi costeleta de vitela grelhada, estava bom, por acaso comi bem e nem foi caro. Depois disso e ainda não eram 20 horas regressamos oa hotel.

Muitos dos peregrinos reunem-se num quarto para rezar o terço, a Cristina e o Luís foram, eu fui directo para o quarto descansar.

Fiz mais umas massagens ás pernas e aos pés com os cremes que a Nelly me tinha dado, de seguida estiquei-me para descansar.

O pequeno aparelho que comprei para me dar uma contagem dos passos, marcava 37995. O Rigor da contagem não era garantido, mas sempre dava uma ideia e em caso de erro seria por defeito, nunca em excesso.


domingo, 5 de julho de 2009

A Viagem de Behobie para a Maia


O dia estava triste, no ano anterior foi exactamente a mesma coisa, coincidências.

Desta vez íamos fazer uma inovação no percurso, saímos de lá eram cerca das 7h10 e entramos na auto estrada para S. Sebastian, mas desta vez, seguiríamos o caminho para Vitória, pouparíamos dinheiro , km e tempo, discuti isso na véspera com o Hélder e tanto ele como os amigos indicaram-me esse caminho, assim o fiz, e em boa hora o fiz, realmente a poupança foi em todos os tipos, dinheiro das portagens, gasolina, km e tempo, adiantamos muito. De Irun até Vitória pagamos cerca de 1,40 € de portagens.

De Vitoria a Burgos optamos pela auto estrada, depois disso foi sempre a andar em estradas com o perfil de auto estrada mas gratuitas , paramos entre Burgos e Valladolid para abastecer o carro e também ir á casa de banho, depois disso novas paragens se seguiram, ora para descansar e comer alguma coisa, por exemplo comer um bocado da tortilla que a Leila tinha feito e que estava boa, ou para a MJ tomar o seu sempre necessário café. Assim fomos rodando e fazendo km até que chegamos a Zamora, estávamos perto de casa e ainda era cedo, sei que estávamos na nossa hora a caminho da uma da tarde, para ser mais preciso era meio dia e meia quando parei para a MJ ir a uma farmácia já á saída de Zamora.

Mais ou menos em Tordesillas tem a separação do caminho em dois, por um lado vai-se para Zamora e por outro para Salamanca, eu pensei em ir por Salamanca, era cedo e dessa forma íamos inovar um pouco mais e a MJ ficaria a conhecer uma bonita cidade, mas a resposta dela foi que queria chegar a casa o mais depressa possível, então optei por Zamora.

A caminho de Bragança eu queria encher de novo o depósito de gasolina, neste momento ainda tinha meio depósito, mas atestando com o preço bem mais baixo era lucro, deixei passar a primeira bomba de abastecimentos. Ao passarmos em Ricobayo surgiu a ideia de irmos por Miranda do Douro a MJ não conhecia e como ela sugeriu, seguimod mesmo esse caminho. A estrada era fraca, mas como não tinha transito andava-se bem. Antes de chegarmos a Miranda do Douro fizemos uma paragem para urinar e beber água bem fresca que ainda tínhamos, tiramos também umas fotos de uma barragem que se vislumbrava ao fundo.

Miranda do Douro surgiu no alto das escarpas que dão para o rio, como cresceu a cidade !, a vista era bonita, a MJ também gostou, mas era uma cidade muito maior do que a cidade que eu conhecera em tempos com o Virgílio e a Maria José, bomba de gasolina em Espanha nem sinal, a MJ sentiu-se um pouco incomodada com isso, mas paciência, ainda tinha gasolina para fazer umas centenas de km.

O nosso caminho continuou, eu agora andava numa mais de improviso, não tinha estudado o percurso, foi tudo definido em cima da hora, por isso agora íamos vendo o mapa e decidindo no momento por onde iríamos, por isso decidimos ir no sentido de Mogadouro e no caminho vi uma terra chamada Sanhoane, tal como a terra do Fernando. Mogadouro chegou, dali seguimos a indicação de Porto que nos iria levar até Alfandega da Fé, mas logo á saída de Mogadouro paramos para comer mais um bocado da boa tortilla que a Leila nos fez, depois de termos reconfortado o estômago, seguimos para Alfandega da Fé e dali para Vila Flor, ao longe via-se uma coluna de fumo, era de um incêndio que decorria em Mirandela e nós andávamos perto.

Em Vila Flor efectuamos uma paragem junto ao parque de campismo, ia mostrar á MJ os animais que por ali existiam, mas infelizmente os animais agora eram poucos, pensei que tivesse mais, no entanto deu para relaxar um pouco dos já muitos km que tínhamos no corpo e deu também para apreciar a magnifica piscina que tem o parque de campismo, fiquei com vontade de acampar por ali num fim de semana.

Á saída de Vila For não encontrei o caminho para a IP4, pensei em ir por Carrazeda, gostava de lhe ter mostrado as capelinhas em S. Salvador do Mundo, mas achei que ela preferia vir para casa, pouco depois apercebi-me que ela nem se importava, a pressa de chegar a casa parecia ter passado, quem não tinha pressa era eu.

Chegamos a Mirandela, mas nem paramos, seguimos as indicações que nos levariam até ao IP4, mas passamos bem junto ao grande incêndio que por ali acontecia, por momentos atravessamos uma cortina de fumo derivada ao que ainda ardia e bem junto á estrada.

Cada vez mais perto de casa, cada metro que passava, aumentava a saudade das férias.

E chegamos a casa da MJ, após uma rápida descarga das coisas delas, foi a vez de me dirigir para a minha casa onde cheguei pouco depois para terminar as férias de 2006.