Mostrar mensagens com a etiqueta Aveiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aveiro. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de abril de 2009

S. Jacinto - Aveiro

Sábado, 30 de Agosto de 1997.

Levantei-me cedo, ainda não eram 7 horas, tinha que deixar a casa mais ou menos arrumada , o pessoal chegava hoje vindo das terras algarvias. Dei uma aspiradela a toda a casa, depois varri os passeios no exterior da casa, estava tudo mais ou menos apresentável, agora era hora de me arranjar a mim, fui tomar um banho. Estava combinado aparecer em casa da Joana quando fossem 9h.30m., tinha demasiado tempo, como tinha combinado estar em casa da irmã do Miranda quando fossem 9 horas, e sabendo eu como ele é, decidi ir um pouco mais cedo. Cheguei a casa da irmã dele faltavam 15 minutos para as 9 horas, tinha acabado de se levantar, era o que eu temia.

Pouco depois chegou a Paula, não fosse o atraso do Miranda estaríamos em casa da Joana à hora marcada, assim já não ia dar.

À hora que devíamos estar em casa da Joana, saímos de casa da irmã do Miranda, como ele ainda não tinha tomado o pequeno almoço, fomos a um café, como de costume ele tomou o pequeno almoço com todas as calmas, e eu a ver a hora a passar. Compramos umas coisas para levar, pagamos e fomos para casa da Joana, chegamos lá com cerca de meia hora de atraso, não foi difícil encontrar a casa. Ela devia estar à nossa espera, pois mal paramos veio logo ao nosso encontro. Levava um top castanho, umas calças brancas e uma sapatilhas pretas da “Fila”.

Devido ao atraso, partimos de imediato, nada digno de registo se passou até próximo de Espinho, tinha ocorrido um acidente e complicou um pouco a circulação, depois disso tudo voltou ao normal. Durante a viagem conversamos muito, eu pretendia que a Joana se sentisse totalmente à vontade. Ela estava a fazer uma coisa que talvez eu não fizesse, penso que eu no lugar dela não iria, sendo eu como sou certamente não me sentiria à vontade, mas tudo depende muitas vezes de como me sinto no momento.

Chegamos a S. Jacinto, estacionamos o carro junto ao parque de campismo da Orbitur, o mesmo parque que eu frequento quando vou para ali acampar, tiramos as coisas do carro e iniciamos a nossa marcha até à praia. Para a Joana e para a Paula tudo era desconhecido, nenhuma delas conhecia aquela praia, nem tão pouco sabiam o que tinham de andar. Fomos andando e falando em muita coisa inclusivamente em cobras, coisa com a qual eu não me dou nada bem. Já bem próximos da praia fomos “ultrapassados” por um casal novo, iam cheios de vontade, nós também, só que com mais calma.

Levamos o caminho que eu sempre uso quando vou para a praia, por momentos achei que deveríamos ir por um outro, aquele caminho não era o mais apropriado para elas, mas já ali estávamos, havia que ir em frente.

Chegados à praia, tive a primeira desilusão, andam a devastar um pouco de toda aquela vegetação.

Estava pouca gente na praia, os dedos das duas mãos chegavam e sobravam para contar toda a gente, é daquilo que eu gosto, não gostei tanto foi da praia, estava com algum, para não dizer muito, lixo.

Tiramos a roupa, não toda, apesar dali muitas vezes dar mesmo para tirar tudo, estendemos as toalhas e a Joana foi até junto da água, mas ali não dava para tomar banho.

Ela à minha beira era “preta”, estava muito bronzeada e depois com o bikini branco com riscas azuis e laranja mais destacava todo o bronzeado, nós junto dela deviamos parecer nórdicos.

Estava a ser porreiro aquele bocado que ali estávamos a passar. Faltavam cerca de 5 fotos para terminar um rolo de fotografias, tinha combinado com a Paula terminar ali o mesmo, ela queria ver as fotos de Sanxenxo da semana anterior. Dito e feito, terminei com o rolo, tirei algumas fotos ao grupo e uma ou outra individual.

Joguei raquetes com a Joana, finalmente as raquetes tinham uso, era um objecto já muito viajado e pouco utilizado. Eu nunca tinha jogado daquilo. A Joana só me fazia correr, devia querer que eu ficasse cansado!, o que veio a acontecer pouco depois. Fomos até à água, eu tinha os calções cheios de areia, depois disso fomos estender os cabedais na toalha e descansar um pouco.

As horas iam passando e nós nem nos apercebíamos, fomos comendo e bebendo do que havia, aqui notei o pouco à vontade da Joana, era natural apesar de eu achar que me esforcei por a colocar à vontade connosco, quase não comeu e pouco ou nada bebeu. Nestas ocasiões eu fico sempre com dúvidas, não sei se a pessoa, neste caso a Joana, não se sente à vontade ou se existe algo que não lhe agrada. Ela apenas dizia que não lhe apetecia. Eu nada podia fazer.

Foi chegando mais pessoal à praia, pouco, nós podíamos continuar à vontade, não faltava espaço .

Continuamos a jogar raquetes, o Miranda com a Paula, aproveitei para tirar algumas fotos, depois eu com o Miranda e finalmente foram as mulheres, jogou a Joana com a Paula, jogavam bem, pelo menos muito melhor do que eu.

A Paula começou a não suportar apanhar mais sol nas pernas, começamos a pensar abandonar a praia, algum tempo depois foi o que fizemos. Esperava-nos uma caminhada até ao carro, e não era pouco.

Depois de chegar junto carro, arrumamos tudo na mala e fomos até um bar que existe não muito afastado dali, é o conhecido francês, estava-se bem ali.

Eu e a Joana bebemos Cola , a Paula foi numa água tónica o Miranda foi como de costume numa cerveja. O nosso tempo por ali começou a esgotar-se, a Paula começava a ter alguma pressa em chegar a casa. Tiramos as últimas fotos por ali, algumas no francês outras junto à ria. Enquanto estávamos no francês telefonei para a Ana Maria, estavam a comer qualquer coisa no Pombal, já estavam relativamente próximos de casa.

Nós decidimos regressar a casa. A Joana perguntou se não íamos a Aveiro, eu tinha dito que íamos passar por lá, só que para a Paula começava a ser um pouco tarde, combinamos passar lá numa outra vez e aí seria a Joana a fazer o roteiro.


quinta-feira, 26 de março de 2009

S. Jacinto - Aveiro - Recordar o Passado


Sábado, 26 de Julho de 1997.

Chegou o dia do churrasco em casa do Rui Brites. O dia estava fabuloso. Ainda estava na ressaca do dia anterior.

O Fernando telefonou-me de manhã, queria saber como era, tinham combinado ir até à base de S. Jacinto, eu gostava de ir mas não sabia se ia dar, fiquei de ligar até por volta das 13 horas a dizer se ia ou não.

Por volta do meio dia decidi que dava para ir até S. Jacinto, telefonei para o Fernando a confirmar a minha ida, o António Augusto passava por minha casa quando fossem aproximadamente 14 horas.

Após o almoço arranjei-me para a ida e o churrasco, nada tinha comprado nem sabia o que tinha de levar.

O António apareceu em minha casa eram sensivelmente 14h 30m., estávamos atrasados para a hora combinada. O Zé vinha com o António. Fomos para casa do Fernando, que já estava à janela a ver quando vínhamos ou então a ver alguma vizinha, problema dele. O António deixou ficar o carro dele e fomos todos na carrinha do Fernando. Fomos para casa do Rui, deixamos as coisas em casa dele, ele não estava em casa.

Estava daqueles dias muito quentes, fomos para S. Jacinto. Tinha muito movimento na estrada, o pessoal procurava ficar próximo da água. Quando chegamos a Ovar, o calor já não era tanto, talvez devido à ria e ao mar, talvez.

O António estava cheio de sede, mas só parávamos na base, o Fernando conhecia um tenente que estava de oficial de dia. Quando lá chegamos fomos à porta de armas e o Fernando pediu para chamar o Tenente ou então indicarem o caminho. Após a identificação do Fernando e quando o tenente já vinha ao nosso encontro, pudemos entrar nas instalações da base.

O Tenente era o nosso guia, era um homem novo mas bastante entroncado. Fiquei surpreendido com as instalações.

O António estava a seco, fomos até ao bar da base, bar dos sargentos, o dos oficiais estava fechado, todos beberam, eu bebi aquilo que eles chamam traçado, ou seja cerveja com Seven Up, até o copo estava gelado. Todos foram numa rodada dupla, para secar um pouco, alguns comeram tiras de milho, eu comi.

Durante este tempo o tenente contava aventuras que tinha tido na tropa e recordava algumas coisas com o Fernando, afinal eles tinham-se conhecido lá.

O soldado que estava no bar, estava a beber licor beirão, o tenente mandou uma boca, perguntou desde quando o soldado bebia licor beirão sem pagar, julgo que a boca foi na brincadeira no entanto o soldado não pensou o mesmo e deitou o que ainda tinha no cálice fora. O tenente pagou a conta e saímos, continuamos a nossa voltinha pela base. O Fernando estava a recordar tempos passados e eu também, então o momento que recordei foi quando entramos no local onde eles hoje guardam os camiões, eu tinha estado ali e na altura tinha lá aviões, hoje nada disso existe. Tinham-se passado mais de vinte anos, estive lá andava eu na escola primária.

Gostei de ver uns jipes, que só via na televisão e em filmes, são parecidos com os Buggys.

Demos uma batida geral às instalações, por ser fim de semana muitas delas estavam fechadas e não foi possível visitar. Tem lá alguns locais agradáveis, e estava tudo muito bem arranjado. A visita caminhava para o fim, a hora também começava a dizer para regressar a casa do Rui. Despedimo-nos do tenente e viemos a um restaurante/bar que existe próximo do parque de campismo, o Francês como é conhecido por toda a gente, mas que oficialmente se chama Chez Eduard.

Pedimos umas bebidas, eu continuei no traçado, para acompanhar vieram uns rissóis de carne. Estivemos por ali um bocadinho, é um local agradável. Agradável não ia ser a conta, o empregado, distraído ou não, meteu uma rodada de bebidas a mais, foi o António que pagou e achou estranho ser tão caro, após uma confirmação do que se comeu e bebeu, rapidamente se chegou à conclusão que o empregado se tinha enganado. Chamamos o empregado e pedimos para conferir o talão, reconheceu o erro, sempre eram mais 500$00.

Na Torreira junto à estrada tem muitas bancas a vender marisco, o Fernando estava com a ideia no camarão, mas era o único, mais ninguém estava com essa ideia, no entanto paramos junto a uma banca, o Fernando ainda comeu um camarão, eram muito pequeninos, voltamos à estrada. Nada mais houve de significativo até chegarmos a casa do Rui.

Quando lá chegamos o Adélio estava no carro dele à espera que chegasse o resto do pessoal, dessa forma chegamos todos juntos. O Rui já estava em casa.

A casa do Rui fica no 1º andar, mas tem nas traseiras um bocadinho de terreno que está muito bem aproveitado, tem lá um fogareiro, dá para fazer uns bons grelhados, grelhados era o que constava o menu para hoje.

Começamos, ou melhor eles começaram por grelhar umas coisas tipo salsichas que o António comprou, enquanto aquilo grelhava, estivemos a comer melão com presunto e a beber um bom vinho maduro branco de S. Marta, não era da cooperativa era do Domingos, quem levou o vinho foi o Zé.

O convívio estava óptimo, o que tínhamos para comer também. As ditas salsichas estavam prontas a serem devoradas por nós, estávamos entretidos com aquilo quando o Rui colocou no grelhador umas postas de bacalhau, estava a cumprir o que tinha prometido ao Zé.

A mulher do Rui também estava a ter trabalho, estava a arranjar umas batatas para acompanhar o bacalhau. Estava uma delicia, de tal forma que a enorme travessa ficou limpa.

Depois do jantar era a hora da sobremesa, nisso eu não fui, não gostava do que havia, tinha muito leite.

O pessoal já estava com um ritmo, que dava para entrar pela noite, depois da mesa arrumada fomos para uma “suecada “, o meu parceiro era o Fernando, o Zé com o António e o Rui com o Adélio, a equipa mais fraca era claramente a minha, como tal deixamos serem primeiro os outros a jogar, eu até só jogo para dar equipas certas, caso contrário nem jogava.

Durante o jogo com a noite já adiantada e o pessoal sempre a molhar a garganta, eu estava já há muito a beber refrigerantes, o Rui decidiu reacender o fogareiro para grelhar uma fêveras. Ninguém queria, mas ninguém o conseguia convencer a desligar aquilo, ele já estava um pouco alcoolizado, já não é o Rui de outrora, facilmente fica de rastos.

Como o Rui já estava daquela maneira e como já estávamos na segunda parte da noite, terminamos o jogo e regressamos ás nossas casas.

Eu estava bastante cansado, quando cheguei a casa adormeci facilmente, também não tinha cometido exageros nas bebidas, posso mesmo dizer que quase não bebi álcool.

Este jantar serviu quase como uma despedida antes de férias, eu ia na semana seguinte.




Foto de Vânia Rodrigues

quinta-feira, 19 de março de 2009

S. Jacinto - Aveiro - Um dia de Pesca


Quinta feira , 1 de Maio de 1997, dia do trabalhador.
Aguardava um dia bem animado, pelo menos era do que eu estava á espera. Estava marcado para hoje a minha segunda experiência na pesca, pior do que a primeira vez não podia ser.
Levantei-me bem cedo, quando eram 7horas já o Artur e o Adélio estavam á minha espera, fomos até casa do Fernando no carro do Artur. Quando chegámos a casa do Fernando já lá estavam todos, alguns eu nem conhecia. O grupo era constituído pelo Fernando, o Silva, o filho do Silva, o Zé Manel , um colega deles que não conhecia e os outros dois já citados anteriormente.
Partimos de imediato, o Zé Manel e o Silva foram na carrinha que está ao cuidado do Zé Manel, iam passar pela Foz, para comprar “bicha”, nós ainda fomos pelo centro da cidade, o Fernando ia levar umas coisas a um amigo que tem um pão quente na rua de Camões, aproveitamos para tomar o pequeno almoço lá. O tempo era bem aproveitado, o pessoal estava com pressa de pescar, eu nem por isso.
O caminho foi feito de uma forma normal, o trânsito aquela hora era muito pouco. Paramos num posto de abastecimento da Mobil na Avenida da Republica em Gaia, depois disso foi sempre a andar.
Chegamos a S. Jacinto, o local de encontro marcado com o Zé Manel foi junto á praia. Mal paramos e visto que o Zé Manel ainda não tinha chegado, eu aproveitei para ir até á praia dar uma espreitadela, estavam lá duas pessoas já a curtir um bronze, pouco depois chegaram duas raparigas sozinhas , eu já me apetecia ficar por ali com elas. Pouco depois chegou o Zé Manel.
Fomos com os carros até bem próximo do local onde iríamos pescar, nas traseiras da base de S. Jacinto. Quando lá chegamos o Adélio ficou entusiasmado, andava muito peixe por ali, inclusivamente robalos. Descemos para bem junto da água, a maré estava baixa. O Fernando com uma rede do género das que se usam nos aquários mas bem maiores, começou a apanhar uns peixes que pareciam sardinhas, eram muito pequenos, iriam servir de isco mais tarde. A rede estava furada muitos peixes caiam ao chão, ajudei a apanhar, no fim tinha as mãos com cheiro a peixe e muitas escamas.
Pouco depois estávamos nós entretidos na pesca. O Adélio foi para a zona onde tinha visto os robalos, só que eles nada queriam com o Adélio, eu também comecei a pescar, só lançava a cana a recolhia a linha, colocar o isco no anzol não era comigo, tinha nojo dos bichos a que lhe chamam “bicha”, resumindo eu não dava para pescador.
O tempo ia passando e nós nem nos apercebíamos, chegou a hora em que o pessoal decidiu dar “ao dente”, eu para comer só tinha levado fruta e 3 bolos que comprei quando estivemos no pão quente, comi pão e um bocadinho de frango frito que o Fernando tinha levado, antes disso tinha comido um bolo, nada mais me apetecia, para beber tinha bebido muita água com limão que levei e bebi uma pinguinha de vinho que eles levaram, foi só para provar o vinho, visto eu estar numa de limonada.
Estávamos nós entretidos a comer quando saiu dos estaleiros de S. Jacinto um barco que é uma réplica de uma caravela rumo ao Tejo, parece que foi construído para a Expo98, aproveitei para tirar as minhas primeiras fotos.
Depois disto o pessoal estava numa de voltar a pescar, eu decidi fazer uma pausa, subi o paredão e fui dar uma volta, volta pequena, pouco depois estava novamente junto do pessoal para também tentar pescar mais qualquer coisa.
Fiquei junto ao Artur, ele era o meu “professor”, estávamos afastados uns bons metros do resto do pessoal, por pouco tempo. Aos poucos eles começaram a vir para junto de nós, até que passado algum tempo estávamos todos juntos.
Continuávamos a pescar uns peixinhos, o tempo estava muito quente, tudo o que tínhamos levado para beber acabou, era preciso alguém ir comprar bebidas, foi o Zé Manel e o filho do Silva, demoraram imenso tempo, pelo menos assim pensávamos, eram os efeitos da sede.
Eles tinham duvidas do que bebia, daí que compraram cerveja e sumos, tinha tudo isso á minha disposição. Com a sede que estava bebi uma Super Bock de lata, gosto mais de garrafa mas já era bem bom. Nesta altura já o pessoal estava a relaxar o dia de pesca estava a caminhar para o fim, também já eram quase 17horas, estava a chegar a hora de regressar a casa.
Pouco tempo depois o pessoal começou a arrumar as coisas, estava na hora de partir, os nossos corpos estavam vermelhos, eu apenas estive um bocado sem T. Shirt, quando comecei a sentir o corpo a ficar muito quente, vesti-me, mas mesmo assim passei quase a manhã só em calções.
Abandonámos o local, o cansaço era bem visível, logo que chegamos aos carros, metemos tudo na mala e partimos. Estava eu a beber um sumo quando me distraí e virei um bom bocado em cima do saco das máquina fotográfica.
Viemos até ao centro de S. Jacinto, o pessoal queria beber mais umas cervejas e comer qualquer coisa, lá fomos até um snack bar. Bebemos umas cervejas e comemos uns pratinhos de polvo, estava bom.
Iniciamos a viagem para casa, contrariamente aos dias de verão, desta vez a viagem até ao Furadouro decorreu muito bem, não havia filas de transito.
Um pouco á frente do Furadouro, quase tínhamos um acidente, no sentido oposto ao nosso, um gajo de mota bateu no carro que seguia á frente dele, o gajo foi projectado para a berma, a mota veio para o meio da estrada, quase que nos batia. Não paramos mas vimos que o gajo da mota se levantou de imediato, não devia ter nada de especial.
Até chegarmos a casa do Fernando não se passou nada de relevante, a não ser que á medida que nos aproximávamos do Porto o volume de transito era maior.
Quando chegámos a casa do Fernando ainda esperamos um pouco pelo Zé e o Silva, esses já tiveram problemas com o acidente no Furadouro, não puderam passar logo porque o pessoal começou a parar.
Todos insistiram para que fosse eu a levar o peixe para casa, afinal eu era o estreante, ou quase.
Estava cansado, mas estava bem disposto, o dia tinha sido fabuloso, primeiro porque adoro a zona de S. Jacinto e depois o pessoal tornou o dia agradável, com uma piadas e anedotas o tempo foi passando, talvez rápido demais.
A próxima viagem estava marcada para dois dias depois, era uma viagem para o Minho e Trás os Montes, mas sem locais previamente definidos.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pesca - A Minha Estreia


18 de Janeiro de 1997.
Desta feita a viagem era curta, mas foi o dia da minha estreia nas lides da pesca.
A partida de minha casa deu-se por volta das 18horas, antes de partir levei um pouco de gozo por parte do meu pai, nunca imaginavam que algum dia eu fosse á pesca.
Fiquei surpreendido quando vi o Alvarinho na carrinha, nunca o Fernando tinha dito que ele também ia. O Adélio já eu sabia que não ia, faltava o Artur. Fomos até casa dele. Quando estávamos prontos para partir chegou o Sá, estava a passar por ali.
Fomos pela auto estrada até á saída para Espinho, mas antes de lá chegarmos passamos por um acidente junto á ponte da Arrábida, envolveu 3 carros, um dos quais um Mercedes, deveria ficar caro o concerto. Como acontece sempre que existe um acidente , formam-se longas filas de transito em ambos os sentidos, no sentido em que se deu o acidente , forma-se porque a via fica total ou parcialmente obstruída, na outra faixa também se forma porque toda a gente quer ver. Desta vez não fugiu á regra. O acidente deu-se no sentido Sul/Norte, eu ia no sentido Norte/Sul. Após ter passado a zona do sinistro, o transito processava-se de uma forma normal.
Como esta era a minha primeira experiência, não sabia nada do que era necessário, de tal forma que comi alguma coisa antes de sair de casa e levei fruta mais dois chocolates, para o caso da fome fazer alguma aparição. O resto do pessoal ia prevenido, aliás eles “jantaram” durante a viagem.
Quando saímos da auto estrada para entrar na estrada para Espinho, o transito era imenso, algumas vezes chegamos mesmo a parar, nunca eram paragens longas mas quebrava o ritmo. A chuva também apareceu e em força, por acaso eu levava um guarda chuva.
Como era a minha primeira vez o Fernando e o Artur iam contando algumas peripécias de anteriores pescarias.
A estrada é boa , até bem próximo de Ovar existe uma estrada que é designada por IC1, é praticamente uma auto estrada mas sem portagens.
Voltei a passar em locais que me são familiares, Furadouro onde costumo ir fazer um ou outro dia de praia, Torreira igualmente e S. Jacinto onde além de praia costumo acampar um fim de semana.
Chegamos eram aproximadamente 20horas, mais minuto menos minuto. Fomos a um café tomar um para aquecer o corpo, a noite estava fria e por vezes chovia muito. Eu também tomei um café, coisa rara em mim, preparamos o material para dar inicio á pesca.
O local escolhido foi um paredão mesmo em frente a S. Jacinto. A noite já tinha caído á muito, o silêncio imperava. O tempo estava frio e prometia chuva em forma de aguaceiros. Tão depressa o céu estava carregado de estrelas como de nuvens. Devido á incerteza do tempo não fomos para o local onde eles costumam pescar, ficamos próximos da carrinha. O paredão tem um caminho por onde se anda bem, no entanto é muito estreito, não são raras as vezes em que se tem de descer para as pedras, o único problema em andar sobre as pedras é que nem todas estão ao mesmo nível.
Logo que escolhemos o local onde “acampar” deu um enorme aguaceiro, o Fernando tinha dito que eu não precisava de levar guarda chuva, se eu não o tivesse levado, teria ficado completamente encharcado, mesmo assim fiquei um pouco molhado, mas só na roupa exterior, porque tinha muita roupa.. Foi das coisas que eles mais me avisaram, é que devia levar muita roupa, nisso dei ouvidos, roupa não me faltava. Levava umas calças de treino e por cima umas calças de ganga, uma camisola interior, uma Sweat Shirt mais uma camisola, um blusão de couro e uma parka. Na cabeça tinha um gorro. Frio não tinha . Só me faltavam umas luvas para as mãos . O Artur é que ia preparado para a chuva, levava um fato adequado para a chuva.
O Adélio emprestou uma cana para eu usar, mas o Artur disse que como era a minha primeira vez tinha de usar material de primeira, emprestou-me a cana dele, uma enorme cana, era segundo ele a cana adequada para o que pretendíamos pescar , Congro.
Eu nada percebia e continuo sem nada perceber de pesca. Estava eu abrigado da chuva com o Alvarinho enquanto o Artur e o Fernando preparavam as coisas para se dar inicio á pesca. O Fernando levava umas cordas ás quais amarrou uns anzóis, o isco era sardinha ou lulas, tinha as duas coisas.
Cordas lançadas, eram cerca de cinco, foi a vez das canas. O Artur ensinou-me como deveria lançar a cana, não é difícil mas como tudo exige pelo menos um pouco de cuidado. Cuidado que não tive, tombei a cana de tal forma que a linha começou a dar voltas na cana, como primeiro teste estava a correr mal. Após uma breve explicação do Artur, lá fui eu para o lançamento. Uma coisa que o Artur me disse é que deveria com o indicador, segurar a linha até ao momento em que a cana está na vertical e aí largar ou seja, uma extremidade da cana fica nas nossas costas, com o indicador fazemos uma leve pressão para segurar a linha, dessa forma juntamos a linha á cana, quando a cana percorre meio caminho está praticamente na vertical, aí devemos deixar a linha que até então estava a ser segura pelo indicador, livre. Mais um teste falhado, mais por atrapalhação do que outra coisa, não larguei a linha no momento exacto. Ela obriga a que o dedo a deixe, devido ao movimento e ao peso da chumbeira, a linha começa a fazer força e se temos o dedo a prender, magoamo-nos, foi o que me aconteceu, fiquei de forma a que nem sentia os dedos, tudo ajudou, tinha as mãos frias, num instante fiquei com uma bem quente.
Os minutos iam passando, o isco ia desaparecendo das cordas que o Fernando lançou e peixe nada.
Foi a vez do Alvarinho ter a lição dele. Com uma cana mais pequena do que a minha, tentou a sorte dele, eu continuava á espera que algum peixe viesse á minha cana.
A chuva já tinha passado, o céu rapidamente ficou estrelado, estava uma noite espectacular.
Cada vez tinha mais pescadores, mas todos diziam que estava uma maré muito viva, o que deu para perceber não ser favorável á pesca, pelo menos foi o que compreendi.
Uma coisa que estas coisas têm é muito tempo livre, por isso levei o tripé da máquina e a respectiva máquina fotográfica, queria registar o momento em que pescava um peixe sem ser no aquário.
Como quando chegamos a S. Jacinto o tempo prometia chuva, o que veio a acontecer, meti a máquina ao ombro e por baixo do blusão e da parka, estava quentinha.
Montei o tripé para começar a bater umas fotos á marginal de S. Jacinto, local pequeno mas bonito pelo menos neste momento, de dia nem tanto devido ao lixo nas ruas.
Fiquei pela tentativa de tirar fotos, desabotoei alguns botões da parka e perdi a vontade de desabotoar os restantes, é que ainda tinha de tirar o blusão, acabei por não tirar nenhuma foto, ficava mesmo para o caso de sair algum peixe.
O Artur lançou á água, mas amarrado por uma corda, um recipiente de forma rectangular e fechado de todos os lados menos um com rede, lá dentro tinha sardinha, era para fazer pesca tipo arrasto, digo eu.
O Fernando com as cordas nada tirava, chegou a vez de eu tirar a cana para ver se alguma coisa tinha ficado presa no anzol.
Meti a cana entre as pernas e como eles me disseram logo que comecei a recolher a linha não podia parar, caso o fizesse corria o risco de a chumbeira ou o anzol ficar preso e não mais sair, custou um pouco, é que a mão usada para enrolar a linha é a esquerda e eu julgo que me daria mais jeito com a direita, eles dizem que não… .
Vinha quase tudo o que tinha ido, só não voltou a sardinha, essa ficou por lá.
Novamente o Artur prendeu uma sardinha ao anzol, voltei a lançar a cana, mas tinha a sensação que ia dar banho á sardinha, começava a não acreditar na pescaria desta noite. Desta vez fiz tudo sozinho, só perguntei uma coisa ao Fernando, foi como devia estar a cesta, após a explicação lancei a linha. Como não existe nada perfeito, o meu lançamento também não foi. Esqueci-me que depois de lançar a linha é necessário prender o carreto para a linha ficar presa e esticada. Lancei a linha contra o vento, passado pouco tempo vi que a linha estava do lado oposto do paredão, fiquei surpreendido e até perguntei como era possível lançar a linha para um lado e ela estar do lado oposto. Fomos ver a linha, estava livre no carreto, o vento fez o resto. Facilmente se resolveu o problema, foi só enrolar um pouco a linha e a situação normalizou.
O Alvarinho alinhou pelo mesmo diapasão no que ao peixe diz respeito, nem um para amostra, depois já tinha dado cabo de duas chumbeiras e dois anzóis.
22h20m. peixe?, só os que eles levaram para servir de isco, ratos muitos.
Existem muitos ratos por ali, enormes, quem tem medo de ratos está tramado, não pode ir pescar para ali.
As cordas do Fernando continuavam sem peixe e sem isco, era só trabalho em renovar o isco, lançar e recolher as cordas, o Alvarinho cheio de frio e preocupado com a possibilidade de no Porto estar trovoada, ao que parece a mulher tem medo de tal coisa.
O Artur ao puxar pela segunda vez o recipiente que tinha lançado teve azar, o dito objecto ficou preso e a corda rebentou, ainda assim foi onde apanhamos o único animal pescado até ao momento e começávamos a suspeitar que seria da noite foi um camarão.
Comi o que tinha levado, apenas uma banana e dois chocolates, para beber havia vinho verde branco, verde tinto e uma garrafa de JB , caso nada disto servisse havia muita água á disposição. Água que começava a subir, não é que estivesse preocupado, mas começava a ver demasiada água de ambos os lados.
Alguns pescadores começam a abandonar o local, desiludidos talvez por ter sido uma noite má para a pesca, mas há noites assim.
Já que os peixes nada queriam connosco, viramo-nos para os ratos. O Artur amarrou um anzol, dos poucos que restavam, a uma corda. Ao anzol prendeu uma sardinha. Tudo montado, esticamos a corda e colocamos a sardinha em cima de uma pedra. Rapidamente os ratos apareceram, começou a luta não do gato e do rato mas do Artur e dos ratos. Quando os ratos tentavam agarrar a sardinha o Artur puxava a corda, o rato assustado fugia para logo de seguida voltar á carga. Estivemos nisto um bom bocado, até que decidimos arrumar as coisas e voltar para casa, decididamente esta noite não dava.
Anzóis quase não ficou nenhum, o recipiente do Artur ficou por lá, chegou a vez de também ficar uma corda do Fernando. Numa última tentativa ele lançou a corda de tal forma que foi tudo, faltava ir uma cana, pouco faltou no meu primeiro lançamento.
Como o que seria o último lançamento do Fernando foi um fracasso, a última tentativa foi com a minha cana, mas quem lançou desta vez foi ele, mas nada dava. Ao fim de alguns minutos recolhemos o material. Eles estavam mais aborrecidos por mim do que eu , lamentavam não ter dado nada na minha primeira vez, desta vez nem a tão falada sorte de principiante ajudou, paciência, deu para passar um pouco o tempo de uma forma diferente mas agradável. Além disso ocupou um pouco o meu tempo, foi bom.
Pouco faltava para a meia noite quando partimos, sem peixes e sem fotografias, tinha de me preparar para o “festival” que ia levar em casa, mas tudo isto faz parte da vida, nem sempre as coisas correm como pretendemos. Era 1h. quando cheguei a casa.