sexta-feira, 13 de março de 2009

Estoril - Testes de Formula 1

Sexta Feira, 7 de Fevereiro de 1997.

Por volta das 10horas, telefonei para o Miranda, era o dia de aniversário dele, 32 anos, não estava, deixei mensagem.

Da parte de tarde ligou ele, dei-lhe os parabéns, ficou combinado ir a casa da Paula ao fim do dia.

Depois do jantar , já passava das 21horas, chegou o Miranda a minha casa, fomos para casa da Paula em Nogueira da Maia, eu já tinha jantado, não sabia que ia para jantar.

Conheci muita gente de quem o Miranda muito falava mas que eu nunca tinha visto. Só conhecia uns primos que lá estavam e fiquei a conhecer a Xana, uma rapariga deveras interessante.

Estive lá até bem próximo da 1h30m, estava a ficar demasiado tarde. Tinha “pressa” em chegar a casa e dormir, bem cedo partia para Lisboa, ficou combinado com o António José partir ás 6horas.

Com receio de adormecer, activei dois relógios despertadores para as 5horas, quando me deitei o ponteiro do relógio andava nas proximidades das 2h30m., custava adormecer com o tic tac em stereo junto aos meus ouvidos, é que coloquei os relógios junto a mim.

Eram 5horas quando começou a sinfonia dos despertadores, acordei mas não me levantei, no entanto despertei, sabia que não voltava a adormecer.

Por volta das 5h20m. , decidi deixar a cama, tinha que tomar um banho, passei por momentos “amargos”, tive vómitos e vomitei alguma coisa, felizmente estava na casa de banho, fiquei um pouco indisposto mas estava decidido a ir e nada me podia parar, como tal tomei banho, escovei os dentes, arrumei os cabelos, vesti-me, arranjei a máquina e estava pronto a partir. Depois de tudo isto, estava bem próximo das 6horas, tinha que ir para o cruzamento na estrada bem próximo de minha casa.

Ao sair de casa, entendi que o melhor seria levar o guarda chuva, o tempo não estava certo.

Saco ao ombro, guarda chuva e tripé numa mão e uma maçã na outra, aí fui eu para o local combinado.

Ás 6horas estava eu no cruzamento, pouco transito a esta hora, 6h11m, chega o Honda Civic Preto do António José. Vinha também o Ricardo. Partimos, tínhamos cerca de 300km pela frente, não tínhamos pressa, o dia seria longo.

Uma das vantagens de se partir cedo é o diminuto transito que se encontra nas estradas, a auto estrada era reflexo disso mesmo.

O dia começava a nascer, o Ricardo a dormir, eu e o António José na conversa. O Honda “devorava” Km, nunca passávamos dos 120, tinha ficado combinado ir nas calmas.

Quanto mais nos aproximávamos do sul, mais carregado de nuvens escuras ficava o céu, prometia chuva. Chuva que apareceu bem forte, estávamos nós para os lados de Leiria. Era uma companhia nada agradável, acompanhou-nos até á entrada de Lisboa. Lisboa que não recebeu a nossa visita, antes de lá chegarmos entramos na CREL, vai direitinha ao Estoril.

Estava o carro a ficar sem gasolina, era melhor não arriscar, saímos em Loures, enquanto se abastecia o carro, fui tentar comprar o jornal o Jogo, não tinha, mas encontrei num quiosque bem próximo dali.

Voltamos a entrar na CREL, para mais tarde voltarmos a sair e entrar na auto estrada que nos levaria para o Estoril.

Com um ou outro engano, devido a deficiente sinalização, um deles é gritante, chegamos ao autódromo do Estoril quando o relógio indicava 9h31m..

Estávamos a estacionar quando ouvimos o barulho de um carro a passar na recta da meta, o barulho é imenso. A minha ansiedade era muita, como nunca tinha visto um carro destes a andar em pista e como já ouvia , tinha pressa de entrar para ver.

A entrada era livre, era outra vantagem, em dias de corrida os bilhetes para a bancada “A” que é a bancada que fica junto á recta da meta, andam na ordem das 4 dezenas de contos, é muito dinheiro, com a agravante de não ter as mínimas condições para se passar ali um dia. Para ali eu só ia se os bilhetes fossem baratos.

Já sabia que ia ver carros de duas escuderias , a Ferrari e a McLaren, nunca me lembrei que iria ver o Michael Shumacher.

Na altura em que entramos no circuito só o McLaren estava em pista, com um único carro em testes, o piloto era o David Coultard . Na box da Ferrari estavam os carros, mas dos pilotos nem sinal.

Quando o McLaren passa na recta da meta o barulho é ensurdecedor. Recolhe á box, pouco tempo depois saem os Ferrari, poucas voltas dão, o tempo vais-se passando, os carros entram e saem da pista, mas nunca estão os 3 ao mesmo tempo na pista.

Numa altura em que está só o McLaren em pista, após mais uma barulhenta passagem pela recta da meta, o carro desapareceu até o voltarmos a ver por trás da zona das boxes, então o barulho aumenta, mas nada igual ao momento em que passa na meta. Nesta caso o barulho aumentou para num instante se fazer silêncio no autódromo. Apenas víamos uma nuvem de fumo vinda da zona onde estava o carro. Rapidamente o pessoal da escuderia e o pronto socorro foram para o local onde estava o carro. Um bom bocado depois o carro chega á box todo tapado, parecia um defunto, pano preto a tapar o carro na totalidade, nada se viu do carro, meteram o carro na box e de seguida fecharam as portas para ninguém ver nada, são segredos por revelar.

Enquanto os mecânicos estavam entretidos com o carro ,os Ferrari saíram para a pista, os tempos não eram famosos, o melhor tempo que eu tinha presenciado tinha sido do McLaren.

O Eddie Irvine nunca dá mais do que duas ou três voltas, enquanto o Shumacher chega a fazer 17 voltas ao circuito.

Numa dessas tentativas os tempos estavam muito maus, comparando com os outros dois pilotos. Da box dão informação para alterar a mistura da gasolina por varias vezes, mas os tempos continuavam a piorar, andava no segundo 22, enquanto os outros chegavam ao segundo 20, após varias mudanças na mistura da gasolina, da box deram ordem para regressar á box.

A manhã foi passada assim, alguns tempos mortos a nível de pista , mas não a nível da box.

Da box da McLaren saiu fumo branco, por escasso tempo ouvimos o barulho do novo motor a trabalhar, havia carro, alguns minutos depois saiu para a pista, uma volta apenas, devia ser para testar o motor.

Algum tempo depois um comissário de pista mostra a bandeira de xadrez, estava terminada a sessão de testes para a manhã, era hora de almoçar.

Fomos até ao Cascais Shopping, fica quase junto ao autódromo.

Antes do almoço fomos entregar um rolo de fotografias que já tinha terminado, dessa forma após o almoço já tínhamos fotos para ver. Assim foi.

Eram 12h39m. quando fomos a um restaurante de comida alemã, predominavam os pratos com salsichas, eu comi um prato com batatas fritas e 4 grandes salsichas, é denominado por “Nuremberga”, soube bem, para acompanhar foi uma pequena caneca de cerveja.

Depois do almoço fomos buscar as fotografias, já eram 13h36m.. Percorremos todo o centro comercial em busca do Jornal de Noticias, começava neste dia a edição dos CD’S de música tradicional Portuguesa. Não encontrei o jornal em nenhum local, como nada mais tínhamos a fazer por ali, decidimos voltar para o autódromo.

A bancada já tinha mais adeptos, o dia que começou muito cinzento também já estava mais alegre, estava sol e o céu azul.

Os pilotos já andavam em pista , por momentos foi possível ver os três carros em pista ao mesmo tempo, só que o Eddie Irvine como de costume deu duas ou três voltas e recolheu á box, restava o outro Ferrari e o McLaren, esses estavam a fazer 17 voltas ao circuito. O Ferrari do Shumacher não completou porque o carro numa zona da pista que não era visível do local onde eu me encontrava, calou-se. Foi o reboque buscar o carro, este contrariamente ao McLaren vinha a ser rebocado e não vinha tapado, no entanto logo que entrou na box, as portas da mesma foram fechadas, ninguém via nada do que se passava lá dentro.

O McLaren depois de algum tempo parado na box, regressou á pista para dar mais algumas voltas, poucas, regressando definitivamente á box, tinham terminado os testes no Estoril para a McLaren, era hora de desmontar e arrumar as coisas.

O barulho dos carros já começava a incomodar os meus ouvidos, quando eles passavam na meta.

Sem o McLaren, só restavam os dois Ferrari, o Irvine quase nem aquecia, como de costume nunca dava mais de três voltas seguidas, só o Shumacher é que animava a vasta plateia.

A McLaren tinha tudo arrumado, o Irvine tinha terminado os testes por este dia, o Shumacher parecia estar entusiasmado com os testes, de tal forma que estava a fazer várias series de 17 voltas ao circuito, para nós era bom, animava.

O dia começava a chegar ao fim, já a noite começava a cair quando mostraram a bandeira de xadrez ao Shumacher, estava terminado o dia de testes. Ou porque o Shumacher estava entusiasmado com os testes, ou porque não via, visto já estar a escurecer, foi preciso um comissário de pista mostrar a bandeira vermelha, para ele se decidir entrar na box. Tinha terminado a minha primeira experiência em corridas de fórmula um. Estava na hora de iniciar o regresso a casa, tinha muitos km. para fazer.

Apesar ser testes, ainda apareceu pessoal de forma a provocar um congestionamento do transito no fim. Quando partimos cometemos um erro que consistiu em virar na direcção do Centro Comercial, deveria ser para o lado oposto. Enganos deste tipo nunca criam grandes problemas, um pouco mais á frente o caso ficou resolvido.

Quando finalmente encontramos o rumo certo, o relógio já marcava 18h18m. Já era noite.

O transito era muito, e mais passou a ser quando entramos na CREL.

Pelo facto de não ter conseguido encontrar o Jornal de Noticias e visto que queria comprar o jornal em virtude de se iniciar a colecção de CD’S, paramos em todos os postos de abastecimento. Na auto estrada que liga o Estoril á CREL não existe nenhum posto, assim como também não existe nenhum na CREL, deve ser complicado ficar sem combustível por ali.

Ao passarmos em Vila Franca de Xira , passamos por uma enorme nuvem de fumo e com um cheiro intenso a borracha queimada, na via norte/sul o transito estava parado, o que nos levou a pensar ter-se tratado de algum acidente, não deu para ver visto as faixas de rodagem não estarem ao mesmo nível, a faixa com os problemas fica num plano superior.

Nos postos de abastecimento em que parávamos, em nenhum consegui arranjar o jornal, ou melhor o CD. Nos postos mais a sul, não tinham o jornal, devem ser sulistas e elitistas, nos postos a partir da zona de Leiria, a resposta passou a ser de que já tinha esgotado, ou então tinham o jornal mas não o CD. Como me interessava o CD não comprei o jornal. Estava visto que não ia iniciar a minha colecção, com muita pena minha, logo o primeiro CD. Que trata da região do Minho.

A coisa estava mesmo preta, mas o António José lembrou-se do Vitó, era a última esperança, ficou combinado ele tentar arranjar o CD.

Com toda aquela brincadeira de parar em todos os postos de abastecimento , a viagem durou muito tempo, demorou quase quatro horas, vínhamos nas calmas, entre 100/120 e com paragem em todos os postos, até que nem esteve mau.

Cheguei a casa eram 22h10m, tinha terminado um dia diferente na minha vida.

Como nota mais saliente da viagem fica o facto de durante a viagem do Porto ao Estoril eu e o António José termos ido sempre a falar, na viagem de regresso houve algumas pausas, poucas, mas não foi o mesmo que a viagem de ida, quem diria que eu falava tanto durante uma viagem tão longa? .

Agora aguardo pela próxima viagem que está marcada para o dia 22 de Fevereiro de 1997, é mais uma ida á Serra da Estrela, espero encontrar a serra bonita como a vi da minha última vez, mas que permita pelo menos chegar até á nave.




Foto retirada do forum.autohoje

1 comentário:

  1. Deve ser interessante assistir, mas o barulho......

    ResponderEliminar